U.S. Embassy Jerusalem / Divulgação

Na semana passada, líderes de igrejas em Jerusalém divulgaram uma declaração conjunta afirmando serem os únicos responsáveis pela orientação dos fiéis cristãos na Terra Santa. O texto criticava o sionismo cristão como uma visão prejudicial que abala a coesão religiosa e atende a interesses políticos. Essa posição gerou uma resposta firme do embaixador americano Mike Huckabee e análises detalhadas de grupos evangélicos.

A nota dos patriarcas destacava que as igrejas apostólicas históricas representam exclusivamente a fé cristã na área, acusando figuras locais de promover ideias que confundem o público e invadem assuntos internos eclesiais. Eles manifestaram inquietação com o fato de que esses indivíduos – possivelmente uma referência a um grupo de mil pastores americanos que estiveram lá em dezembro de 2025 – serem recebidos em níveis oficiais pelo governo israelense, o que, segundo eles, compromete a comunidade cristã nativa.

Em sua réplica, Huckabee rejeitou qualquer ideia de exclusividade na representação da fé cristã. Ele enfatizou que nenhuma denominação deve monopolizar a perspectiva cristã, salientando o crescimento global da tradição evangélica. O embaixador defendeu que o judaísmo é a base do cristianismo e argumentou que, se Deus pudesse romper sua aliança com o povo judeu, os cristãos não teriam garantia de que Ele honraria a deles. “A noção de que Deus poderia quebrar uma aliança é inaceitável para quem vê as Escrituras Sagradas como autoridade da igreja. Se Ele pudesse ou quisesse fazer isso com os judeus, que esperança teríamos nós?”, questionou.

Huckabee esclareceu que um sionista é apenas alguém que defende o direito dos judeus de habitarem sua terra ancestral, e se mostrou perplexo com o fato de que quem se diz cristão não adotaria essa postura. Ele incentivou os patriarcas a priorizarem princípios comuns, como a defesa da vida e do casamento, em vez de brigas por autoridade territorial.

Uma postagem viral de um cristão evangélico desmontou o comunicado dos patriarcas, classificando-o como uma manifestação político-institucional, não teológica. A análise apontou para uma falha grave: o texto citava apenas um versículo (Romanos 12:5) sobre união, ignorando passagens chave sobre a aliança de Deus com Israel, como Romanos 11:29, que afirma ser irrevogável o chamado divino, e Jeremias 31:35-37, que liga a permanência de Israel à estabilidade do sol e das estrelas.

A crítica esclareceu que o declínio da população cristã na Terra Santa não decorre do sionismo cristão. Dados mostram que em Belém, os cristãos eram 86% em 1950, caindo para cerca de 12% em 2026. Fatores como colapso econômico, intimidações por grupos islâmicos e disputas de propriedades sob controle da Autoridade Palestina – alheios à teologia evangélica – seriam os reais motivos para a saída de fiéis.

O post sugeriu que o comunicado reflete temor pela perda de influência, já que grupos cristãos externos, ao dialogarem diretamente com autoridades israelenses, desafiam o monopólio dos patriarcas sobre a voz cristã. A alegação de representação exclusiva foi vista como um equívoco categórico, pois crenças teológicas não dependem de aprovação hierárquica.

A análise ainda reprovou a vagueza estratégica do texto, que evita nomes ou ações específicas, gerando uma sensação de culpa difusa sem necessidade de debate teológico documentado. Enquanto os patriarcas invocam autoridade institucional histórica, Huckabee e os evangélicos baseiam-se na interpretação literal das alianças bíblicas, indicando que a “unidade” pedida pelos líderes de Jerusalém pode ser, na verdade, uma exigência de submissão institucional.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta