Tasnim News Agency / Wikimedia Commons

Um alto representante do governo iraniano advertiu que o país usaria todos os recursos disponíveis para contra-atacar qualquer nova ofensiva militar americana, enquanto acusa os Estados Unidos e seus parceiros de usar a agitação recente para empurrar o Oriente Médio rumo a um confronto maior. Em artigo publicado no Wall Street Journal, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, descreveu as manifestações no Irã como inicialmente pacíficas, mas infiltradas por elementos terroristas internos e externos, o que levou a uma repressão dura e ao bloqueio quase completo de internet e comunicações.

Ele atribuiu à retórica americana o agravamento da violência, sugerindo que as declarações do presidente Donald Trump incentivaram atos extremos. Embora defenda o diálogo como preferência, Araghchi alertou que uma nova agressão resultaria em uma reação muito mais intensa, com potencial para um conflito prolongado na região. “Enquanto os iranianos lamentam suas perdas e reconstroem o que foi danificado, paira a ameaça de um colapso definitivo nas negociações. Diferente da moderação exibida pelo Irã em junho de 2025, nossas forças armadas não hesitarão em revidar com todo o arsenal se formos alvos novamente”, escreveu.

Araghchi dirigiu uma mensagem direta a Trump: “Os EUA tentaram todas as formas de hostilidade contra o Irã, de sanções e ciberataques a agressões militares diretas – e, mais recentemente, fomentaram uma operação terrorista significativa – sem sucesso. Chegou a hora de uma abordagem diferente. Experimentem o respeito, que pode nos levar mais longe do que se imagina.”

Trump avalia opções militares contra Teerã, com movimentação de ativos americanos na área, sob olhares internacionais para a resposta iraniana que já causou milhares de mortes em protestos contra o regime. A agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA e dedicada a monitorar violações de direitos humanos no Irã, informou na terça-feira que as manifestações nacionais entraram no 24º dia.

De acordo com os dados compilados pela HRANA, ocorreram 629 protestos registrados, com pelo menos 26.314 detenções e 4.519 mortes confirmadas. Desses óbitos, 4.251 foram de manifestantes, incluindo 33 menores de 18 anos. O Conselho de Direitos Humanos da ONU marcou uma sessão especial para sexta-feira, visando debater o agravamento da situação de direitos humanos no Irã.

A jornalista iraniana Elaheh Mohammadi relatou no X que, nos últimos dias, o acesso a VPNs tem funcionado de forma intermitente, por apenas 30 minutos a uma hora, permitindo conexões breves para que as pessoas confirmem estar vivas. “A cidade cheira a morte. Em toda a minha vida, nunca vi neve cair em Teerã sem que ninguém sorrisse”, postou ela. “Dias difíceis se foram e todos estão atordoados; um país inteiro em luto, um país inteiro contendo as lágrimas, um país inteiro com um nó na garganta.”

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