Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via Reuters

De acordo com a Fox News, evidências cada vez mais graves sobre a repressão do regime iraniano contra sua própria população circulam pela internet, enquanto o número real de vítimas fatais nos protestos segue em disputa por causa de bloqueios na rede e intimidações estatais. Ativistas, relatos da imprensa e dados médicos estimam de milhares de mortes confirmadas a dezenas de milhares temidas.

A jornalista iraniana Fatemeh Jamalpour, que cobriu todos os grandes movimentos de protesto nas últimas duas décadas, avalia que essa onda de violência marca um ponto de virada na força usada pelo governo. “A brutalidade escalou de forma impressionante, e com o apagão na internet, fica difícil medir a extensão dos assassinatos.”

“O que vemos de novo nesses protestos, algo inédito, é que a partir da noite de 8 de janeiro o regime emitiu ordens para atirar para matar ao IRGC, Basij e polícia de choque, permitindo fogo direto”, relatou Jamalpour à Fox News Digital.

“Antes, armas militares pesadas eram usadas principalmente em províncias minoritárias como Curdistão e Baluchistão”, complementou. “Dessa vez, foram empregadas em todo o território… Oficiais do Ministério da Saúde nos contaram que faltaram sacos para corpos.”

A contagem mais citada vem da Human Rights Activists News Agency (HRANA), grupo baseado nos EUA que rastreia óbitos por nome e local. Até 25 de janeiro, a HRANA registrou 5.848 mortes confirmadas: 5.520 manifestantes, 77 crianças abaixo de 18 anos, 209 agentes do governo e 42 civis ou não manifestantes. Há ainda 17.091 casos em verificação.

O grupo esclarece que sua lista confirmada inclui apenas o que pôde ser documentado de forma independente, e os totais devem crescer com novas informações.

De acordo com a Associated Press, as autoridades iranianas divulgaram apenas um número oficial de 3.117, sem atualizações nos últimos cinco dias e sem nomes, locais ou provas para respaldar a cifra.

Além das contagens de direitos humanos, um relatório médico independente analisado pela Fox News Digital sugere números bem maiores. Elaborado pelo Munich Med Group, sob autoria do professor Dr. Amir-Mobarez Parasta, o documento compila registros hospitalares de várias cidades iranianas e aplica um modelo conservador de extrapolação para compensar subnotificações durante o bloqueio de comunicações.

Pelo método, estima-se cerca de 33.130 mortes em todo o país até 23 de janeiro. O autor enfatiza que não se trata de contagem verificada, mas de projeção mínima baseada em dados parciais e premissas declaradas.

A Iran International publicou investigação própria alegando ter acessado documentos que indicam mais de 36.500 mortos apenas nos dias 8 e 9 de janeiro. A emissora afirma que as fontes são internas, mas as alegações não foram confirmadas de forma independente.

A discrepância entre números confirmados e estimativas reflete não só a escala da violência, mas as condições em que ocorreu. Apesar do corte na internet, profissionais médicos tentaram registrar o que viam via conexões satélite limitadas.

“Muitos médicos e equipes enviaram relatos e documentos por pequenos links Starlink”, contou Jamalpour. “Trabalhadores da saúde dizem que manifestantes eram alvejados na cabeça e pescoço, com intenção letal. Muitos morreram por múltiplos tiros. Alguns foram atingidos pelas costas ao fugir.”

Jamalpour descreveu as vítimas como uma geração que o regime parece determinado a esmagar. “Entre os mortos há crianças e um homem de 67 anos, mas a maioria é de jovens abaixo de 30.”

Ela relatou o caso de Mehdi Khanmohammadi, coronel aposentado de 67 anos e piloto. “Foi morto em 9 de janeiro em Saadat Abad por dois tiros”, disse. “Em vídeo, a filha fica ao lado do corpo e pede: ‘Pode abrir os olhos e acordar?'”

Cenas assim deixaram o país em luto coletivo. “Os iranianos estão em choque”, afirmou Jamalpour. “Há dor por toda parte.”

Ao mesmo tempo, alertou que a repressão continua. “Advogados e organizações de direitos humanos temem por mais de 20 mil detidos, em risco de execução.”

Mesmo com o medo, Jamalpour nota uma mudança no ar. “Em conversas dentro do país, ouço esperanças por ajuda de Trump para libertar o Irã”, disse. “E uma determinação para mudar o regime, agora misturada a raiva e tristeza.”

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