De acodo com a Fox News, um relatório detalhado sobre o funcionamento do escritório do aiatolá Ali Khamenei revela que o verdadeiro centro de poder no Irã não está no governo visível, mas em uma estrutura paralela projetada para assegurar a continuidade do regime mesmo se o líder supremo desaparecer da cena pública. Publicado pela organização United Against Nuclear Iran (UANI) e elaborado por Saeid Golkar e Kasra Aarabi, o estudo descreve o Bayt – escritório do líder supremo – como um complexo institucional que se infiltra nas Forças Armadas, na economia, nas instituições religiosas e na burocracia estatal.
“É o verdadeiro núcleo nervoso do regime, funcionando como um Estado dentro do Estado”, explicou Aarabi em entrevista. O sistema permite a Khamenei supervisionar e influenciar decisões em todas as esferas, incluindo política nuclear, planejamento de guerras e segurança interna. A estrutura conta com cerca de 4 mil funcionários diretos – comparados a comissários ideológicos – e uma rede que alcança dezenas de milhares de pessoas em órgãos públicos e privados.
No topo, o círculo íntimo inclui os filhos do líder, com destaque para Mojtaba Khamenei, descrito como uma espécie de “mini-líder supremo” dentro do escritório. O Bayt interfere diretamente na cadeia de comando militar, com promoções de alto escalão dependendo de sua aprovação e órgãos de contrainteligência paralelos monitorando lealdade nas forças armadas. O escritório também tem papel decisivo em negociações nucleares e decisões estratégicas durante conflitos.
A rede se estende à economia, por meio de fundações e conglomerados ligados ao líder supremo, além de instituições religiosas, universidades e órgãos culturais, onde representantes garantem conformidade ideológica e supressão de dissidência. “O Bayt é o núcleo do poder real do regime”, resumiu Aarabi.
As conclusões surgem em meio a especulações sobre a saúde de Khamenei e sua menor exposição pública, além de tensões regionais crescentes. O autor rejeita a ideia de que a ausência do líder indique enfraquecimento ou fragmentação interna. “Mesmo em um bunker, ele mantém controle total. O Bayt foi construído justamente para assegurar a continuidade do poder”, afirmou.
A estrutura coloca o Bayt acima do próprio Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e do governo formal. “É o órgão de formulação estratégica que conduz o programa de mísseis balísticos, o nuclear e a desestabilização regional”, explicou Aarabi.
Para Washington e aliados regionais, as implicações são claras. “Eliminar Khamenei isoladamente não basta. É preciso desmontar todo o aparato que ele criou”, alertou o pesquisador. Qualquer estratégia eficaz contra o regime exigiria ações coordenadas, incluindo operações cibernéticas, sanções e componente militar, visando o núcleo institucional do poder iraniano.









