Nesta quinta-feira, 5, o Ministério Público Federal deu início a uma apuração civil para examinar indícios de tortura e condutas degradantes no programa Big Brother Brasil. O foco da análise recai sobre situações recentes que comprometeram a integridade dos concorrentes e os padrões éticos da emissora. O gatilho para a iniciativa foram os episódios de convulsões sofridos pelo ator Henri Castelli em uma disputa de endurance.
O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, aponta que as demandas impostas pela TV Globo colocam em risco desproporcional a saúde dos envolvidos. Além do incidente com Castelli, o MPF avalia o formato do “Quarto Branco”, que submete os participantes a confinamento estendido. Uma carta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos ao órgão destacou paralelos entre essa mecânica e técnicas de tortura usadas no período militar.
Em resposta aos investigadores, a TV Globo ressaltou o suporte médico constante durante as filmagens. A emissora informou que Castelli recebeu cuidados prontos e foi levado a instalações externas de saúde duas vezes. A equipe jurídica da produção defende que os contratos assinados pelos participantes informam sobre os desafios físicos e emocionais inerentes às provas.
O MPF, no entanto, contesta essa visão e defende que normalizar o desconforto extremo como entretenimento fere os princípios republicanos fundamentais. Para o órgão, o acordo contratual não legitima atentados à dignidade humana ou exposições perigosas. Agora, a investigação deve consultar especialistas em direitos humanos e profissionais de saúde para determinar se as práticas do BBB feriram a legislação sobre proteção física e mental.









