Gazeta do Povo / Reprodução

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, admitiu que sua possível transferência do PSOL para o PT pode representar um grave problema para a trajetória da sigla. A mudança, que deve ocorrer até o dia 4 de abril, está sujeita a uma avaliação estratégica sobre o papel da esquerda no país e a necessidade de expandir sua base eleitoral.

Segundo a Gazeta do Povo, Boulos reconheceu a possibilidade de o PSOL perder importantes membros e enfrentar penalidades devido à cláusula de barreira, uma restrição legal que exige que partidos políticos tenham filiados em diversos estados. Ele enfatizou que a esquerda defendida não se limita a converter indivíduos, não busca dominar a sociedade e não se engaja ativamente na política.

“Nós não acreditamos em uma esquerda que pregue só para convertido, não busque disputar maiorias na sociedade e não põe o pé no barro. Esse não é modelo de esquerda que a gente defende”, declarou em entrevista ao UOL na noite de segunda-feira (23).

A Gazeta do Povo revelou que Boulos admitiu o peso político do PSOL e que uma saída em massa poderia ter consequências sérias para a legenda. A movimentação, que dificulta o cumprimento da cláusula de barreira, coloca em risco a estrutura partidária.

“Uma saída do nosso grupo agora praticamente inviabilizaria a existência institucional do PSOL. […] Com todas essas lideranças saindo, a dificuldade do partido de ultrapassar a cláusula de barreira se tornaria ainda maior, talvez quase como uma inviabilidade”, completou.

A situação se agrava em meio a uma crise interna no PSOL, intensificada por uma dissidência que divulgou uma carta de crítica à possível migração de Boulos e seus aliados para o PT. A ala dissidente acusa o ministro de abandonar os princípios do partido em busca de uma federação com o grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O documento da dissidência, divulgado no fim do ano passado, questiona a condução política do processo e sugere que a federação com o PT foi utilizada como uma narrativa para evitar o desgaste da saída de Boulos. A proposta não teve apoio unânime dentro do partido, encontrando resistência de lideranças como Sâmia Bomfim, Luiza Erundina, Glauber Braga e Chico Alencar.

A divergência expôs um racha interno e aumentou a tensão entre as correntes do PSOL. Apesar das disputas, o partido manteve o apoio à reeleição de Lula, considerando-o parte de uma estratégia de enfrentamento à direita no cenário político nacional.

Boulos, que se filiou ao PSOL em 2018, ganhou destaque nacional ao concorrer à presidência e à prefeitura de São Paulo em duas ocasiões.

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