O governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, decretou o fechamento de seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas na operação militar contra o Irã. A decisão, que marca um novo capítulo nas tensões entre os países, foi anunciada em meio ao primeiro mês de conflito entre os Estados Unidos e Israel.
Segundo a Gazeta do Povo, a Espanha também restringe o uso de suas bases aéreas de Rota e Morón por aeronaves dos EUA, além de proibir que aeronaves militares de outros países europeus utilizem seu espaço aéreo. A informação foi confirmada por fontes do Ministério da Defesa espanhol ao jornal El País e à agência EFE.
O governo Sánchez já havia comunicado, no início do conflito no Oriente Médio, sua recusa em utilizar as bases militares operadas em conjunto com os Estados Unidos, conforme um acordo bilateral. Essa postura levou o presidente americano, Donald Trump, a ameaçar impor restrições ao comércio com a Espanha.
A medida não afeta voos comerciais, conforme esclareceram fontes da gestora espanhola de navegação aérea, Enaire, à agência EFE. A restrição se aplica exclusivamente às operações militares.
A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, enfatizou que o governo comunicou, desde o início da operação, sua impossibilidade de autorizar o uso das bases de Rota e Morón, devido à sua contrariedade à guerra, que considera ilegal e injusta.
Questionado sobre o impacto da restrição no relacionamento com os EUA, o primeiro-vice-presidente espanhol e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, afirmou que a decisão reflete a posição do governo de não participar de conflitos iniciados de forma “unilateral” e “contra a legalidade internacional”.
Cuerpo indicou que as empresas espanholas continuam a operar nas mesmas condições que outras europeias nos Estados Unidos, e que o governo busca melhorar as relações bilaterais entre Madri e Washington. Para facilitar o estabelecimento de empresas espanholas nos EUA, o ministro anunciou a abertura de novos escritórios econômicos em Boston e Houston.
Esta não é a primeira vez que Trump e Sánchez divergem em questões militares. Em 2023, após a pressão de Trump, os países da OTAN concordaram em investir pelo menos 5% do PIB em defesa até 2035, sendo a Espanha o único país da aliança que se recusou a aderir à meta, gerando a sugestão de Trump de sua expulsão da OTAN.
Adicionalmente, Sánchez tem adotado posições críticas em relação a Israel, classificando a ofensiva contra o Hamas na Faixa de Gaza como “genocídio”, reconhecendo o Estado palestino e participando do processo judicial apresentado pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ).









