Gazeta do Povo / Reprodução

A Comissão de Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou a convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF) para prestar esclarecimentos sobre a criminalidade no Rio de Janeiro e as negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Segundo a Gazeta do Povo, a decisão visa investigar as circunstâncias que levaram o Distrito Federal a realizar acordos com o banco privado.

A comissão também determinou a quebra dos sigilos de Daniel Vorcaro, o cunhado do banqueiro preso, e do empresário Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro das fraudes do Banco Master. Essa medida, aprovada de forma isolada, segue uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o acesso amplo a dados protegidos em votações.

O presidente da CPI, Fabiano Contarato, e o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), juntamente com o senador Magno Malta (PL-ES), manifestaram críticas à restrição de acesso a informações, especialmente em relação às convocações que haviam sido bloqueadas por recursos de “habeas corpus”. A Gazeta do Povo reportou que Malta defendeu o descumprimento de decisões judiciais nesses casos.

Além das convocações dos governadores, a CPI solicitou informações sobre a compra do Banco Máxima por Vorcaro, o papel de ex-diretores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, e a possível obtenção de propinas por parte destes últimos. A comissão também busca a presença obrigatória do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para responder a questionamentos sobre a supervisão bancária durante o crescimento do Banco Master.

Campos Neto, que já se ausentou na primeira audiência, solicitou uma nova convocação, alegando impossibilidade de comparecimento. O relator Alessandro Vieira ressaltou a necessidade de coletar informações com os ex-presidentes do Banco Central, dada a importância do caso para a compreensão das dinâmicas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A convocação de Cláudio Castro se justifica, segundo Vieira, pelo avanço da criminalidade no Rio de Janeiro, com destaque para a atuação do Comando Vermelho e o uso de complexos como centros de treinamento para a facção. A CPI busca entender o papel do governo estadual nesse cenário.

Em relação a Ibaneis Rocha, a investigação se concentra nas negociações entre o BRB e o Banco Master, incluindo o processo de compra e venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas. A CPI pretende avaliar o grau de envolvimento do ex-governador nestes negócios. Ibaneis Rocha negou qualquer participação, afirmando que seus encontros com Daniel Vorcaro foram de natureza institucional. A Gazeta do Povo apurou que o BRB tem até terça-feira (31) para apresentar o balanço financeiro de 2025, que deverá revelar o real prejuízo nas negociações com o Master, estimado em bilhões de reais.

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