O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ausentou-se novamente de um convite para depor perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. A situação se repete após a primeira falta, em 3 de março, e a comissão formalizou a convocação obrigatória, conforme reportado pela Gazeta do Povo.
A ausência de Campos Neto ocorre em meio a investigações sobre possíveis falhas na supervisão bancária que poderiam ter facilitado a expansão de organizações criminosas. A comissão busca entender o papel na questão do escândalo envolvendo o Banco Master, um caso que ganhou força durante sua gestão na autoridade monetária.
O banqueiro Daniel Vorcaro, figura central na trama, impulsionou os negócios do Master, gerando inicialmente suspeitas de irregularidades na instituição. A CPI pretende, com o depoimento de Campos Neto, obter esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram a essas suspeitas.
Diante da segunda falta de comparecimento, a CPI aprovou um requerimento de convocação, determinando que Campos Neto se apresente para prestar esclarecimentos. O senador Alessandro Vieira, relator da CPI, ressaltou a importância de obter informações com os ex-presidentes do Banco Central, considerando o longo período de atrasos na coleta de dados.
Vieira enfatizou que a falha nas instituições de controle é um ponto central na investigação. Ele ressaltou que, até o momento, não houve atribuição de investigação ou acusação formal contra Campos Neto, mas a convocação será na condição de testemunha.
O requerimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) visava a coleta de informações técnicas e estratégicas para apurar as irregularidades no Banco Master e aprimorar a legislação bancária. A situação expõe um cenário complexo, marcado por decisões do STF que desobrigaram convocados a comparecer.
Entre os que foram desobrigados estão os irmãos do ministro Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos, que tinham envolvimento com um resort onde negociaram cotas acionárias com um fundo de investimentos ligado a Vorcaro, além do ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, que recebiam propina de Vorcaro.
A CPI também aprovou a convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF) para prestar informações sobre o crime organizado e o envolvimento do Banco Regional do Brasil (BRB) no caso Master, respectivamente. Além disso, foram quebrados os sigilos de Fabiano Zettel, braço direito e operador financeiro de Vorcaro, e solicitadas informações sobre a compra do Banco Máxima por Vorcaro, atos conduzidos por Souza e Belline, entre outros aspectos relevantes do caso.









