Gazeta do Povo / Reprodução

Minas Gerais deverá se consolidar como principal produtora de café do Brasil, respondendo por quase metade do total nacional em 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de 32,4 milhões de sacas para o estado, representando um aumento de 25,9% em relação ao ano anterior.

Essa projeção eleva a participação de Minas Gerais na produção de café arábica para 49%, em contrapartida a uma expansão de 45,5% registrada anteriormente. O resultado é fruto de uma bienalidade favorável das lavouras, chuvas adequadas durante o desenvolvimento dos grãos e a expansão das áreas plantadas.

Apesar do cenário promissor, desafios significativos persistem. Conflitos geopolíticos no Oriente Médio elevam os custos logísticos e o preço dos insumos, como fertilizantes e combustíveis, impactando diretamente o produtor. Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do país, enfatiza a importância de manter a expectativa positiva, apesar das incertezas.

Outros estados produtores de café arábica também são mapeados. São Paulo, em terceiro lugar no levantamento da Conab, prevê uma produção de 5,5 milhões de sacas, enquanto o Espírito Santo deve colher 19 milhões de sacas, com predomínio do café Conilon. Segundo informações da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a concentração da produção segue nos tradicionais sul e centro-oeste do estado, com 12 milhões e 9,7 milhões de sacas, respectivamente.

A Cooxupé planeja reduzir a exportação de 4,8 milhões de sacas para 4,4 milhões em 2026, refletindo a preocupação com o mercado internacional e a oferta global de países como Vietnã e Colômbia. Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, destaca que o aumento da produção pode ser acompanhado por um crescimento nas exportações, mas depende das condições do mercado global.

Conflitos no Oriente Médio, conforme revelado pela corretora de café Carvalhaes, pressionam as rotas marítimas, elevando os custos logísticos e impactando o mercado global. A Cooxupé prevê uma retração nas exportações para 4,4 milhões de sacas, uma redução de 8,33%.

Os desafios internos, como a legislação trabalhista rural desatualizada, e a insegurança jurídica, também são apontados como obstáculos. O presidente da Cooxupé, Miguel Borges, ressalta a necessidade de modernização da legislação para garantir segurança jurídica no campo.

A cooperativa Cooxupé, que em 2025 destinou 4,8 milhões de sacas para exportação, espera uma retração para este ano. A base dos cooperados da Cooxupé é composta por 97,6% de mini e pequenos produtores, com apenas 2,4% representando os segmentos médios, grandes e megas.

O governo estadual de Minas Gerais tem intensificado o apoio ao setor, disponibilizando R$ 2 bilhões em crédito através do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e do Funcafé. Investimentos em pesquisa e inovação, por meio da Epamig e da Emater-MG, complementam o esforço, com foco na assistência técnica e certificação da produção.

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