Gazeta do Povo / Reprodução

A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), avaliada em até R$ 10 bilhões, está em fase final, impulsionada por uma recente renovação do contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo a Gazeta do Povo, este movimento crucial para a desestatização mobiliza grandes grupos privados do setor.

O contrato, assinado em 25 de julho, selou um acordo que vinha sendo negociado há meses. O secretário de governo de Belo Horizonte, Guilherme Daltro, informou que a prefeitura receberá uma outorga livre de cerca de R$ 1,8 bilhão. O governador Mateus Simões (PSD) e a presidente da Copasa, Marília Melo, também participaram da cerimônia.

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), enfatizou que a renovação do contrato, que evita a cobrança de tarifas elevadas e o estado precário das redes de distribuição, representa um avanço significativo para a capital e para a empresa. A próxima etapa envolve a publicação do prospecto da oferta, um passo determinante para que os interessados avaliem a oportunidade.

O governador Mateus Simões projeta a conclusão da privatização em até dois meses, com a publicação do edital nas próximas semanas e o leilão subsequente. A Aegea, a maior empresa privada do setor, e a Sabesp, recentemente privatizada em São Paulo, são apontadas como favoritas para adquirir participação na Copasa.

A Sabesp, com um balanço financeiramente conservado, busca expandir sua atuação, enquanto a Aegea, com um capital robusto proveniente de investidores como a Itaúsa e o GIC, vê na Copasa uma oportunidade estratégica para aumentar seu valor de mercado. A empresa paulista e a Equatorial Energia, que já foi acionista de referência na Sabesp, também estão sendo consideradas.

A possibilidade de uma fusão entre as operações mineiras e paulistas, consolidando as duas maiores companhias de saneamento do Sudeste, tem sido levantada. A Sabesp, com sua capacidade de financiamento e o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que antecipou para 2029 o cumprimento de metas nacionais, demonstra um potencial considerável.

A Gazeta do Povo revelou que a Sabesp, antes da assinatura do contrato com Belo Horizonte, expressava incertezas sobre a visibilidade necessária para tomar decisões, mas com o entrave removido, a empresa se mostra mais confiante. Outras empresas, como a Perfin (BTG Pactual e Copasa), a BRK Ambiental (Brookfield e FGTS) e a Veolia, também estão sendo monitoradas.

A Aegea e a Equatorial enviaram declarações genéricas à Gazeta do Povo, sem confirmar interesse direto na Copasa. A Copasa, por sua vez, segue em silêncio, conforme exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Um ponto crucial na disputa é o modelo de privatização, que prevê a entrada de um investidor de referência com até 30% do capital da empresa, além da venda de ações ao mercado. No entanto, existe o risco de o mercado valorizar as ações, e o investidor de referência ser excluído da estrutura acionária.

Para mitigar esse risco, há a proposta de incluir um “right to match”, que permitiria ao investidor igualar o preço das ações no mercado. O governo de Minas Gerais busca evitar a crítica que o governo Tarcísio de Freitas sofreu na privatização da Sabesp.

A valorização da ação da Copasa, que subiu de R$ 23,42 em um ano para R$ 55,48 atualmente, reflete o anúncio da privatização, melhorias no marco regulatório estadual e mudanças na metodologia de cálculo tarifário e reconhecimento de investimentos pela Arsae-MG. O governo mineiro confirmou, em resposta enviada à Gazeta do Povo, que os recursos obtidos com a privatização serão destinados ao Propag, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados.

A privatização da Copasa foi uma das bandeiras do ex-governador Romeu Zema, e sua conclusão em ano eleitoral reforça o peso político da medida.

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