The Times Of Israel/Reprodução

Na terça-feira, 1º de abril de 2025, membros do clã Abu Samra, uma influente família de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, executaram um homem que identificaram como operativo do Hamas, acusando-o de matar Abdulrahman Sha’aban Abu Samra, um de seus parentes, enquanto ele aguardava em uma fila por farinha na mesma manhã. A ação, filmada e amplamente compartilhada em redes sociais palestinas, ocorreu na entrada da cidade, onde vários familiares abriram fogo contra o suspeito.

Segundo o clã, o homicídio de Abdulrahman desencadeou uma rápida resposta: eles rastrearam o suposto responsável, ligado às forças do Hamas, e o executaram em público como retaliação. Vídeos do incidente viralizaram, evidenciando a crescente insatisfação de civis gazenses com o grupo terrorista. Gaza abriga dezenas de clãs poderosos como os Abu Samra, que operam como organizações familiares sem vínculos formais com o Hamas, derivando influência de negócios e da lealdade de centenas ou milhares de membros, liderados por um mukhtar (chefe).

Conflitos entre clãs e o Hamas não são novos. Na primavera de 2024, a família Doghmush, de Gaza City, entrou em choque com o grupo devido a disputas sobre distribuição de ajuda e rumores de contatos com Israel para um possível governo pós-guerra. Relatos na mídia árabe indicaram que o Hamas executou o líder do clã e dois outros em um complexo familiar. Agora, a execução do operativo reflete uma escalada de rivalidades, em meio a uma onda de protestos contra o Hamas que, desde a semana passada, reuniu milhares na Faixa, expondo rachaduras no controle do grupo.

O Hamas reagiu ao caso via Ministério do Interior, sugerindo que investigaria a morte do operativo, mas sem intervenção direta aparente, o que alguns interpretam como sinal de enfraquecimento após a campanha militar israelense. Na semana anterior, o grupo já havia sequestrado, torturado e executado Oday Nasser Al Rabay, um jovem de 22 anos que participou dos protestos, deixando seu corpo na casa da família. No sábado, 29 de março, dezenas marcharam em seu funeral gritando “Fora Hamas!”. Um oficial sênior, Basem Naim, insistiu ao canal Al-Araby que os protestos visam Israel e a guerra, não o Hamas, apesar de vídeos e entrevistas contradizerem essa narrativa, segundo o The Times Of Israel.

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