Em entrevista à Rádio Auriverde na quarta-feira, 2 de abril de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que a Itaipu Binacional se transformou na “galinha dos ovos de ouro” do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele criticou a falta de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a usina, que, desde a posse de Enio Verri como diretor em 2023, gastou quase R$ 3 bilhões em convênios, segundo o portal Oeste. Desde 2019, os gastos totais da binacional atingiram R$ 7,5 bilhões, com aumento significativo no terceiro mandato de Lula.
Bolsonaro fez o comentário ao rebater alegações de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria invadido sistemas do Paraguai durante seu governo, o que ele negou: “Tentam colocar isso na minha conta, pra variar. A CNN confirmou que foi no governo Lula.” Ele destacou que, em sua gestão, reduziu a tarifa de Itaipu em quase 50% em dólares, beneficiando consumidores, e acusou o atual governo de usar os recursos para projetos ideológicos, como a retomada da Universidade de Integração Latino-Americana (Unila) e o financiamento de atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Por ser binacional, ninguém mete a colher em Itaipu, e virou a galinha dos ovos de ouro do Lula”, ironizou.
Os convênios firmados sob Verri incluem R$ 1,3 bilhão para obras da COP30, conferência climática da ONU em Belém (PA), a 2,8 mil km de Foz do Iguaçu (PR), e R$ 15 milhões para um evento cultural paralelo ao G20 no Rio em 2024. Esses gastos, desvinculados da geração de energia, têm atraído críticas de políticos e da imprensa. Bolsonaro argumentou que, após quitar sua dívida histórica em 2023, Itaipu deveria reduzir tarifas, não financiar iniciativas alheias ao setor elétrico.
O processo de criação da Comissão Binacional de Contas, acordado em 2021 entre Brasil e Paraguai para fiscalizar Itaipu, está paralisado desde 2023 por decisão do governo Lula. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o tema só será retomado após junho de 2025, quando as negociações do Anexo C, que redefinirá as bases financeiras das tarifas, forem concluídas. A ausência de controle externo reforça as acusações de uso político dos recursos da usina, segundo a Revista Oeste.