O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Leonardo Sica, expressou preocupação e exigiu uma investigação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as denúncias de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master.
Segundo a Revista Oeste, Sica afirmou que ministros que utilizam jatos particulares, como forma de transporte, deveriam ser submetidos a uma análise investigativa aprofundada. O representante dos advogados paulistas ressaltou a inércia da PGR em relação à atuação dos magistrados da Corte.
A PGR, sob a liderança de Paulo Gonet, até o momento rejeitou pedidos de apuração contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Sica enfatizou a necessidade de “investigação ampla” dos fatos, citando, por exemplo, o uso de aeronaves particulares por membros do STF.
O presidente da OAB-SP mencionou os sucessivos casos divulgados pela imprensa, referentes a viagens em aeronaves particulares por ministros do Supremo bancadas por empresários e advogados com processos na Corte. Ele salientou que a investigação é fundamental para dissipar suspeitas e garantir a credibilidade do sistema judiciário.
Três ministros do STF foram identificados em viagens utilizando aeronaves ligadas ao Master. Nunes Marques utilizou um avião particular pertencente à empresa que administra os bens de Vorcaro para se deslocar a uma festa em Maceió. O ministro confirmou a viagem, justificando-a como um convite à festa.
Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também utilizaram aeronaves particulares de uma empresa ligada a Vorcaro. O gabinete de Moraes classificou a informação como “ilação”, negando qualquer envolvimento direto. A esposa do ministro afirmou que a empresa contratada oferece diversos serviços de táxi aéreo, e que não houve presença de Vorcaro ou Zettel nos voos.
Documentos oficiais revelaram que o ministro Dias Toffoli realizou pelo menos três viagens de Brasília para o Tayayá Resort, no Paraná, utilizando aviões de empresários após a venda do empreendimento. Um dos voos era da Prime Aviation, empresa com participação de Vorcaro.
Além das viagens, surgiram suspeitas sobre o envolvimento de Toffoli e Moraes no caso Master, incluindo mensagens com Vorcaro e a intermediação do ministro para favorecer o banco. A Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli, encontrando mensagens e comprovantes de pagamento. Um resort da família de Toffoli foi vendido a um fundo ligado a Vorcaro, e a empresa responsável pelo Tayayá está em nome dos irmãos do ministro, que é sócio oculto.









