Gazeta do Povo / Reprodução

A pesquisa da OAB-SP revelou uma percepção majoritariamente negativa em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte dos advogados paulistas. Segundo a Gazeta do Povo, mais de 62% dos entrevistados – um total de 7.882 advogados – expressaram uma avaliação negativa da atuação da Corte.

Especificamente, 15,13% dos respondentes classificaram a conduta do STF como negativa, enquanto 47,69% a consideraram muito negativa. Apenas 13,51% dos advogados paulistas apresentaram uma avaliação positiva, com 9,86% considerando a postura como positiva e 3,65% como muito positiva. Um pequeno percentual, 3,84%, não manifestou opinião alguma sobre o tema.

A pesquisa, conduzida pela comissão de estudos sobre a Reforma do Judiciário da OAB-SP, também abordou o modelo de mandato dos ministros. A maioria dos entrevistados, 84,73%, defendeu a adoção de um mandato fixo, com 64,10% indicando um mandato de oito anos e 10,63% propugnando por um período de dez anos. Apenas 8,31% ainda apoiavam a manutenção do cargo vitalício.

A comissão responsável pela análise foi composta por figuras de destaque do cenário jurídico, incluindo ex-ministros do STF Ellen Gracie e Cezar Peluso, além de ex-ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior, e ex-presidentes da OAB Patrícia Vanzolini e Cezar Brito, além de professores renomados como Maria Tereza Sadek, Oscar Vilhena e Alessandra Benedito.

O estudo ocorreu em um contexto de debate sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cargo de ministro do STF, e a subsequente discussão com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. De acordo com a Gazeta do Povo, a maioria dos advogados (81,89%) considerava que o processo de escolha dos ministros deveria ser alterado.

A pesquisa, realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, também buscou identificar os principais problemas do sistema de Justiça brasileiro. A demora na tramitação dos processos foi apontada como o principal entrave, sendo considerada gravíssima por 55,63% dos entrevistados. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmam que uma ação judicial, em média, leva dois anos e três meses para ser resolvida, um tempo ainda maior no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), onde a tramitação pode ultrapassar três anos e dez meses.

Adicionalmente, 24,90% dos advogados consideraram a questão da tramitação excessiva como muito relevante, 15,68% como relevante e 2,06% como pouco relevante, enquanto 1,73% não identificaram problema no assunto. Outro ponto crítico, citado por mais da metade dos respondentes (50,52%), foi o desrespeito por parte dos juízes às regras processuais estabelecidas em lei, com 19,41% considerando essa prática como muito relevante, 17,44% como relevante e 6,84% como pouco relevante, enquanto 5,79% não o viam como um problema.

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