A organização não governamental Transparência Internacional expressou críticas contundentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à sua postura diante do escândalo envolvendo o Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Segundo a Revista Oeste, a ONG apontou que, em uma entrevista ao portal ICL Notícias, Lula teria aconselhado o “companheiro Moraes” a declarar-se impedido para participar do julgamento do caso Master, buscando preservar sua biografia. A organização argumentou que o conselho mais adequado seria para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, investigar o escândalo.
A Transparência Internacional ressaltou que a situação se agravava com a normalização de irregularidades e que a minimização do caso pelo presidente era prejudicial ao país. A ONG destacou que o conselho de Lula para Moraes, que deveria se declarar impedido de julgar causas relacionadas ao escritório da esposa, demonstrava um péssimo julgamento do presidente em relação à probidade.
A organização detalhou que o escândalo do Master envolvia um contrato de R$ 129 milhões entre a empresa de Viviane Barci, esposa de Moraes, e o banco, um valor considerado discrepante em relação ao mercado. Além disso, a ONG mencionou as interações do ministro com Daniel Vorcaro, dono do banco, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, evidenciando um potencial tráfico de influência.
A Transparência Internacional enfatizou que o escritório de Viviane Barci ignorou o histórico de investigações sobre o Master e as suspeitas generalizadas em relação ao valor do contrato, que poderia ter origem criminosa. A ONG também apontou que Viviane e seus filhos são classificados como pessoas expostas politicamente, o que exige controles rigorosos em relações comerciais e financeiras.
A organização criticou a falta de mecanismos de compliance no escritório Barci de Moraes ao aceitar o contrato de valor extraordinário, com alto risco de origem ilícita, para realizar atividades de lobby. A Transparência Internacional defendeu que o escritório deveria ter reportado o caso imediatamente aos órgãos de controle.
A ONG argumentou que, diante das circunstâncias, o escritório jamais poderia ter assinado o contrato e deveria ter buscado a orientação do procurador-geral da República para abrir uma investigação independente. A Transparência Internacional concluiu que, em vez de aconselhar Moraes, Lula teria agido de forma mais apropriada ao sugerir que o procurador-geral não se omitisse e conduzisse a investigação com plena autonomia.









