Gazeta do Povo / Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um desafio significativo para aprovar o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, mesmo com a designação do deputado José Guimarães (PT-BA) para liderar a articulação política. A iniciativa, que visa reduzir a jornada semanal para 40 horas e implementar cinco dias de trabalho e dois de descanso, já suscita forte oposição de diversos setores produtivos, gerando preocupações sobre consequências econômicas.

Segundo a Gazeta do Povo, José Guimarães assumiu a Secretaria de Relações Institucionais com o objetivo de viabilizar a proposta, originária dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), que foi acolhida pelo Planalto como um dos principais programas da campanha eleitoral. O presidente Lula almeja que o tema unifique a Câmara dos Deputados.

O Palácio do Planalto busca avançar rapidamente na tramitação, com o intuito de realizar a votação ainda em maio. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já pautou a discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para a próxima quarta-feira (15), e planeja a criação de uma comissão especial para elaborar um parecer completo até o final do mês, que será então levado ao plenário.

Entretanto, o setor produtivo demonstra preocupação, argumentando que a redução da jornada sem um ajuste correspondente pode elevar custos, diminuir a atividade econômica e gerar pressão sobre os preços. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o que representaria uma perda de R$ 76,4 bilhões anualmente, com impactos ainda maiores na indústria, comércio e serviços.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a abordagem, classificando a proposta como inadequada e um erro político, especialmente em um momento de intensa pressão eleitoral. Ele argumentou que a discussão não seria responsável diante desse contexto, e que a medida só se justificaria como estratégia política.

Um manifesto assinado por 463 entidades empresariais reforça a preocupação, alertando para a possibilidade de perda de empregos e inflação. O documento defende uma mudança gradual, com negociação coletiva e estudos técnicos aprofundados.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) também ressalta a necessidade de diálogo, enfatizando que a proposta não deve ser aprovada sem considerar os impactos sobre empresas e consumidores. O setor teme que a medida resulte em aumento de preços e redução de vagas, especialmente em setores com alta rotatividade e jornadas extensas.

Trabalhadores dos setores de comércio, serviços e segurança podem ser diretamente afetados por mudanças abruptas na escala 6×1. Pequenos e médios empresários, com custos elevados, podem reagir com cortes de pessoal ou repasse de despesas aos consumidores.

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