O Brasil tem se posicionado como um campo de disputa entre os Estados Unidos e a China, com o governo Lula no centro de um jogo geopolítico de crescente intensidade. Segundo a Gazeta do Povo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recentemente levantou preocupações ao sugerir que o país estaria se transformando em uma “colônia chinesa”, alimentando um debate sobre a crescente proximidade da gestão Lula com o regime de Xi Jinping.
A afirmação do senador se baseia em dados concretos. Um estudo do China Global Investment Tracker, em conjunto com um relatório do Conselho Empresarial Brasil China, revelou que o Brasil se tornou o segundo maior destino dos investimentos chineses no mundo, ficando atrás apenas da Indonésia. Até 2032, o aporte de capital chinês no país deverá ultrapassar os R$ 27 bilhões, conforme estimativa da Apex Brasil.
O comércio bilateral entre Brasil e China atingiu um patamar expressivo em 2025, com um volume de US$ 100 bilhões, representando quase metade do superávit comercial brasileiro naquele ano. Essa dependência se manifesta principalmente na exportação de commodities, como minério de ferro, soja e petróleo, que respondem por cerca de 80% das exportações brasileiras para a China, que, por sua vez, absorve aproximadamente 30% do total de exportações brasileiras.
O economista Igor Lucena destaca que esse fluxo comercial exerce um impacto direto na economia brasileira, sustentando as reservas internacionais e influenciando a política cambial. No entanto, ressalta que os Estados Unidos ainda lideram em investimento direto no Brasil, evidenciando uma competição ativa por influência.
A relação sino-brasileira tem sido marcada por uma dinâmica complexa, influenciada por fatores econômicos, políticos e estratégicos. A Gazeta do Povo reportou que, em janeiro de 2025, após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, Xi Jinping telefonou para Lula, defendendo a proteção dos “interesses comuns do Sul Global” e uma mediação conjunta em um cenário internacional turbulento.
O governo Lula tem buscado manter um diálogo aberto com ambos os lados, buscando equilibrar interesses econômicos e políticos. Uma iniciativa recente, anunciada pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, é a formação de um Time de Interdição Mútua (MIT) com os Estados Unidos, visando o combate ao tráfico de drogas e armas.
Contudo, a crescente influência chinesa tem gerado tensões, como evidenciado pelo relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou práticas consideradas desleais por Washington, incluindo o Pix e as vendas na 25 de Março. Além disso, o Departamento de Estado americano tem monitorado a situação política e jurídica no Brasil, manifestando preocupação com decisões do governo Lula que restringem a liberdade de expressão, conforme divulgado em relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA.
Especialistas preveem que, mesmo sem uma guerra comercial aberta, os Estados Unidos poderão exercer pressões pontuais sobre o Brasil, como tarifas mais altas sobre produtos estratégicos ou resistência diplomática à participação de empresas chinesas em projetos de infraestrutura. A Gazeta do Povo aponta que a postura de Washington, apesar de divergências políticas, tende a manter interesses relevantes no Brasil, limitando o apetite por rupturas.









