O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desenvolveu, em janeiro, um plano com o objetivo de diminuir significativamente a longa espera por benefícios, mas a implementação completa foi bloqueada pela Casa Civil. A revelação foi feita pelo ex-presidente do INSS, Gilberto Waller, que teve sua demissão anunciada nesta segunda-feira, 13.
Segundo Waller, o projeto foi elaborado em colaboração com a Casa Civil, a Dataprev e o Ministério da Previdência Social. A proposta visava reduzir a fila de solicitações para 1,3 milhão de requerimentos até o término do atual mandato. Parte das medidas já foram colocadas em prática, incluindo o Atestemed, uma ferramenta digital que simplifica o acesso ao auxílio por incapacidade temporária, eliminando a necessidade de perícias presenciais, e a realização de mutirões em fins de semana.
Conforme reportado pela Revista Oeste, Waller mencionou que algumas ações implementadas já haviam apresentado resultados positivos. Ele atribuiu o principal gargalo na resolução da demanda à demora na análise da perícia médica, que permanece sob responsabilidade do Ministério da Previdência Social. Dados oficiais do INSS indicam que mais de 821 mil pessoas estão aguardando aval médico há mais de 45 dias.
Atualmente, a fila do INSS contabiliza cerca de 2,7 milhões de pedidos pendentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia prometido a eliminação da espera até o fim do governo, mas essa meta ainda não foi alcançada, com o instituto recebendo, em média, 61 mil novos requerimentos diariamente. Waller avaliou sua gestão de forma positiva, destacando a redução do volume de pendências, mesmo com o aumento da demanda, e a “limpeza” interna promovida após as investigações de fraudes. Em março, o INSS registrou um recorde de 890 mil benefícios aprovados e 1,6 milhão de análises concluídas.
O Ministério da Previdência Social, por sua vez, justificou a troca na liderança do INSS como uma medida para acelerar a análise de benefícios. A pasta ressaltou que ações como mutirões, contratação de 500 peritos, uso de telemedicina e a expansão do Atestemed contribuíram para a redução da fila observada em março.
Durante sua gestão, Waller teve apenas um encontro com o presidente Lula, em maio de 2025, para discutir o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A questão da fila não foi tema daquele encontro. A fila do INSS praticamente triplicou desde o início do governo atual, conforme dados do Boletim Estatístico da Previdência.
A nova gestora do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, uma servidora de carreira do órgão desde 2003, assume o cargo após a demissão de Waller.









