Reprodução/Redes Sociais/X

A Câmara dos Deputados da Bolívia, em um movimento alarmante, aprovou a revogação da lei que restringia a atuação das Forças Armadas em conflitos internos. A medida, agora em curso, concede ao presidente Rodrigo Paz o poder de decretar estado de sítio diante da crescente onda de protestos que assolam La Paz e geram graves problemas de abastecimento no país.

Essa anulação da lei 1341, datada de 2020 e que dificultava o emprego do Exército em operações internas, ocorreu em um cenário de extrema instabilidade, com parlamentares impossibilitados de comparecer à Câmara devido aos bloqueios de estradas perpetrados por sindicatos, movimentos indígenas e apoiadores do ex-presidente Evo Morales. Como apurou a Revista Oeste, essa flexibilização das regras militares representa um reforço significativo do poder executivo, permitindo intervenções mais drásticas.

A oposição, liderada pelo deputado Edwin Valda, demonstra profunda preocupação com as consequências dessa decisão, alertando que ela “trará mais violência e tornará as reivindicações sociais desprotegidas”. A revogação da lei, segundo Valda, não é um caminho para a solução, mas sim um instrumento para intensificar o conflito e aprofundar a crise.

A Bolívia, palco de intensas manifestações violentas que se originaram em demandas salariais e críticas a reformas econômicas, agora se encontra em uma situação crítica, com manifestantes bloqueando cerca de 60 estradas estratégicas e avançando até as proximidades do Palácio do Governo. A situação se agrava com a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos em cidades chave, como La Paz e El Alto, e com a crescente pressão por um estado de sítio.

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