Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O discurso oficial celebra a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara como uma conquista social. O relatório da comissão especial, contudo, revela o verdadeiro objetivo por trás da PEC 6×1: estancar a sangria da pejotização e recuperar a base de contribuição do INSS. O alvo são 400 mil profissionais de alta renda — os hipersuficientes — e o mercado já projeta os efeitos colaterais.

Os deputados aprovaram, na noite desta quarta-feira (27), em primeiro e segundo turnos, a proposta de emenda constitucional que determina o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. O texto segue agora para análise do Senado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), espera que a PEC 6×1 entre em vigor ainda no segundo semestre. Em entrevista à TV Câmara, lembrou que o texto prevê transição gradual e disse esperar que os trabalhadores sintam os efeitos ainda em 2026.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), pouco mais de 400 mil pessoas se enquadram em uma das faixas que a PEC 6×1 visa atingir — os chamados “hipersuficientes”. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que, por trás do discurso de humanização, o Estado prepara o reenquadramento desses profissionais na CLT para ampliar a arrecadação da Previdência às custas da autonomia e da eficiência tributária do livre mercado.

O relatório da Comissão Especial, redigido pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA), expõe a motivação: a medida busca “combater diretamente o fenômeno da ‘pejotização’, que prejudica substancialmente o financiamento da Previdência Social”.

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