O aumento desordenado do litoral paranaense, impulsionado por investimentos e um turismo desenfreado, está transformando a vida dos moradores, elevando drasticamente o custo de vida e alterando seus hábitos de consumo. A região, outrora conhecida por sua tranquilidade e preços acessíveis, agora enfrenta uma realidade de inflação acelerada, impactando diretamente o bolso da população local.
A situação é particularmente crítica para aqueles que residem integralmente no litoral, onde o turismo sazonal e a especulação imobiliária criam uma pressão constante sobre os preços. Como apurou a Gazeta do Povo, o aumento nos preços de supermercados, aluguéis e serviços básicos se tornou um fardo insuportável para muitas famílias, que veem seus orçamentos serem corroídos por essa escalada de custos. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada pelo Dieese, confirmou o cenário alarmante: em abril de 2026, o custo da cesta básica disparou em todas as capitais brasileiras, atingindo um aumento acumulado de 7,89% no Paraná, com reflexos ainda mais intensos nas cidades litorâneas.
A crescente movimentação econômica, que atraiu novos moradores e investimentos, exacerbou o problema. A ausência de grandes redes de supermercado na região, um fator já de por si problemático, contribui para a artificialização dos preços, com produtos que, em comparação com cidades vizinhas como Paranaguá, ostentam valores significativamente mais elevados. A autônoma Gabriele Henrique de Oliveira, residente na região há 28 anos, ilustra essa realidade: “Ultimamente estou indo a cada 15 dias. Aproveito e abasteço o carro, que é outra coisa que em Paranaguá é muito mais barato. Aqui no litoral, no verão, aumenta sim o fluxo e os valores. O combustível também é um vilão”.
A preocupação com o aumento do custo de vida se reflete nos índices de inadimplência, como evidenciado pelos dados da Associação Comercial do Paraná. Em Guaratuba, o número de inadimplentes saltou de 12.496 para 12.645 pessoas entre os dias 1º e 15 de maio, e em Matinhos, aumentou de 12.878 para 13.015 inadimplentes no mesmo período. Para Cleide Areco, presidente da Associação Comercial de Guaratuba, a situação exige atenção: “Existe uma preocupação natural com o custo de vida, principalmente porque a renda das famílias nem sempre acompanha todos os aumentos. Mas acreditamos que o desenvolvimento econômico, quando bem estruturado, pode trazer mais oportunidades e equilíbrio para a cidade”.









