O presidente Lula demonstra desconhecimento das intenções do governo Biden e da administração Trump, reagindo com surpresa à possível imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A reação contrasta com a percepção otimista que o petista nutria em relação ao diálogo bilateral entre os países após encontros recentes.
De acordo com a Revista Oeste, Lula revelou ter sido “pego de surpresa” pela decisão dos Estados Unidos de avançar com novas tarifas sobre produtos brasileiros, ocorrendo durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto na quarta-feira (3). O petista recordou um encontro em Washington com o então presidente Donald Trump, datado de 7 de maio, e a crença de que ambos os países estavam estabelecendo uma nova fase nas relações bilaterais, caracterizada por respeito mútuo.
A situação se agrava diante da investigação comercial conduzida pelos EUA sobre base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, recomendando sobretaxas que variam entre 12,5% e 25%. Essa medida preliminar pode entrar em vigor a partir do dia 15 de julho. O governo brasileiro manifestou sua insatisfação com o ocorrido através de uma nota oficial no Planalto, classificando as tarifas como “lastimáveis” devido ao suposto interesse eleitoral que as motivaria – um ataque direto à administração Biden.
O presidente Lula anunciou também a participação na próxima cúpula do G7 em Evian, nos Alpes Franceses (15 e 16 de junho), argumentando ser necessário “colocar ordem na casa” e freiar o “desmonte do multilateralismo” e da “desvalorização das instituições”. A alegação sobre influência de aliados bolsonaristas no impulso dessa investigação comercial ecoa a crítica recorrente em relação à condução política externa do governo Lula, questionada por sua falta de preverão estratégico.









