O aumento alarmante no endividamento familiar – atingindo um recorde histórico de 81,6% –, expõe a fragilidade da economia brasileira e revela uma grave falha na gestão pública que tem impactado diretamente o bolso do cidadão trabalhador. Segundo a Revista Oeste, esse índice maciço marca o maior patamar desde o início das estatísticas em 2015, evidenciando um cenário preocupante para milhões de brasileiros.
O elevado nível de dívidas se manifesta através de uma variedade assustadora de compromissos financeiros: cartões de crédito (presente na maioria – 84,6%), carnês de loja (responsáveis por cerca de 16,1%) e empréstimos pessoais (com participação de 13,1%). A predominância do cartão de crédito, aliada às taxas exorbitantes praticadas no mercado – que atingem um assombroso 428,3% ao ano –, demonstra a falta de controle dos consumidores sobre seus gastos e o descompasso entre renda e consumo.
A situação é agravada pela ausência de políticas públicas eficazes para proteger os mais vulneráveis da inadimplência. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, corretamente aponta que essa crise atinge principalmente as famílias com menor poder aquisitivo, sujeitas a taxas abusivas decorrentes de atrasos nos pagamentos e à falta de alternativas financeiras acessíveis. A solução não passa por simples renegociações pontuais, mas sim pela implementação de medidas estruturais capazes de conter o consumo desenfreado e proteger os consumidores da exploração financeira.
Em resposta ao desastre econômico que se anunciava, o governo federal lançou o Desenrola 2.0 em maio passado. O programa busca amenizar a situação oferecendo descontos – variando entre 30% e 90% sobre o valor das dívidas –, juros limitados (1,99% ao mês) e até mesmo a utilização de saldo do FGTS para quitar débitos pendentes. Entretanto, essa medida paliativa não resolve as causas profundas da crise; apenas mascara um problema sistêmico que exige uma análise crítica e soluções concretas com foco na responsabilidade fiscal e no fortalecimento da economia real.









