A bancada do Republicanos no Senado Nacional demonstra crescente insatisfação com o ritmo da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e, como apurou a O Antagonista, tem ponderado em alterar substancialmente o texto aprovado na Câmara. A reação surge após uma aprovação considerada “açodada” pela própria comitiva do Republicanos da Casa Baixa, liderados pelo presidente Hugo Motta e pelo relator Leo Prates.
O descontentamento se manifesta diante de um cenário que contrasta diretamente com a postura adotada por figuras como o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defende a análise cuidadosa da proposta sem pressões para acelerar seu andamento. Senadores republicanos, em contato exclusivo com esta reportagem e sob reserva de identificação, enfatizam a necessidade de considerar as particularidades setoriais – especialmente na saúde e segurança –, bem como os potenciais impactos econômicos decorrentes do encurtamento da jornada laboral, incluindo o risco de inflacionar custos. A bancada tricolor pretende apresentar emendas significativas para mitigar esses efeitos.
A mobilização incessante promovida pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), intensifica a pressão sobre os senadores republicanos. O petista critica veementemente o que ele chama de “projeto escravocrata” da PEC, argumentando que visa impor uma escala 7×0 ao trabalhador e negar sua liberdade para definir seu tempo de trabalho. Uczai clama por “dois dias para viver”, denunciando jornadas exaustivas que impedem a prática de atividades essenciais como lazer e convívio familiar – um apelo comum à defesa dos valores tradicionais da família, segundo analistas conservadores.
Apesar das declarações do presidente Alcolumbre sobre o envio da PEC às comissões senatoriantes, o texto ainda não foi encaminhado. A insatisfação crescente na base republicana sugere uma possível resistência ao avanço da proposta, que se alinha diretamente com as prioridades do governo Lula (PT), intensificando a disputa política no Congresso Nacional e levantando questionamentos sobre os limites entre a vontade popular – expressa pela aprovação na Câmara – e o poder discricionário do Judiciário, especialmente do STF.









