Reprodução/CIDH

A escalada do crime organizado nas Américas ganha nova dimensão com um alerta urgente da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH). O órgão aponta para uma grave ameaça: o recrutamento sistemático de crianças e adolescentes por grupos criminosos, expondo jovens a ciclos extremos de violência.

Segundo a Revista Oeste, essa preocupação se intensifica em diversos países da região, onde organizações do crime estão explorando vulnerabilidades sociais – pobreza, desigualdade e exclusão – para atrair indivíduos entre 13 e 15 anos. Inicialmente, essas vítimas são utilizadas em tarefas como vigilância, transporte de entorpecentes ou coleta de informações delicadas; posteriormente, o ciclo se transforma em atividades violentas sem controle: extorsões, tráfico ilícito de drogas, exploração sexual e até mesmo homicídios.

O aliciamento não ocorre apenas nas ruas; a CIDH aponta para um avanço preocupante no uso das tecnologias digitais – redes sociais, videogames online –, que amplificam o alcance do crime organizado em direção à juventude. Meninas são particularmente vulneráveis ao risco de violência de gênero dentro dessas estruturas criminosas, enquanto crianças indígenas, afrodescendentes, migrantes e jovens residentes em áreas controladas por grupos armados se encontram entre os mais expostos a essa exploração.

A organização aponta que o problema é subnotificado devido à ameaça implícita das organizações criminosas – medo de represálias ou dificuldades para denunciar –, evidenciando uma falha grave nos mecanismos de proteção social e na capacidade dos estados em agir contra esse flagelo. A CIDH clama por medidas concretas, como a criminalização específica do recrutamento forçado de crianças e adolescentes, além da necessidade urgente de investigação rigorosa e punição exemplar para os responsáveis envolvidos nesse tráfico humano infantil.

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