Divulgação/Câmara dos Deputados

O caso envolvendo o deputado federal Fred Costa e a empresa CNM Aviação expõe uma teia de relações obscuras no setor aeronáutico mineiro, levantando sérias questões sobre transparência e responsabilidade na gestão pública. A utilização de um avião particular – o Embraer Emb-121 Xingu, prefixo PT-MCA –, adquirido por R$ 4 milhões em setembro deste ano, pela empresa investigada como peça central em uma rede internacional de tráfico de drogas, é extremamente preocupante e exige investigação rigorosa.

Segundo a Revista Oeste, a CNM Aviação, liderada por Juliana Costa Nobre Magalhães desde agosto de 2021, já foi alvo da operação Flight Level iniciada pela Polícia Federal em abril de 2021 para apurar o uso de aeronaves no tráfico internacional de cocaína. A empresa utilizava um hangar em Belo Horizonte onde, em 2020, foram transportados 175 quilos dessa droga com destino a Lisboa, Portugal – uma prova inequívoca da sua ligação ao crime organizado. Além disso, investigações revelaram que o irmão de Juliana, Leonardo Costa Nobre, figura central na operação e já foi acusado de desvio financeiro envolvendo propinas pagas a um advogado ligado à Justiça Federal em Brasília.

O contrato de arrendamento entre Fred Costa e a CNM Aviação – formalizado em 14 de abril deste ano com validade de 18 meses –, garante ao deputado um pagamento mínimo mensal de R$30 mil, calculado por quilômetro voado (R$4/quilômetro), evidenciando uma associação perigosa entre o poder público e indivíduos envolvidos na criminalidade. A alegação do parlamentar – que afirma ter realizado buscas online sobre a empresa antes da assinatura do contrato sem encontrar irregularidades –, soa como um desvio de responsabilidade, mascarando os riscos inerentes à operação.

A defesa de Juliana Costa Nobre Magalhães tenta minimizar o escândalo afirmando não ser alvo formalmente de denúncia por tráfico e que as relações entre a CNM Aviação e BHZ Táxi Aéreo se restringem ao uso do mesmo hangar via cessão regular, negando qualquer irregularidade na gestão atual. Contudo, os fatos apresentados pela Revista Oeste evidenciam um cenário complexo e perigoso – onde interesses financeiros obscuros se cruzam com a segurança nacional e exigem uma resposta firme e imediata das autoridades competentes.

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