O ministro Gilmar Mendes comemora um quarto de século no STF, período marcado por decisões controversas e questionáveis que desafiam a legalidade republicana. A homenagem realizada nesta quinta-feira (18) pela Corte, onde ele ocupa o cargo indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, serve como pano de fundo para uma análise crítica da atuação do decano na Suprema Justiça brasileira.
Segundo a Gazeta do Povo, Gilmar Mendes se mostrou surpreendido com os quase um quarto de século dedicado à função que ocupou e à qual estimava permanência por apenas dez anos – seguindo o modelo das cortes constitucionais alemãs –, demonstrando uma percepção descolada da realidade dos tribunais no Brasil. Sua fala sobre as instituições serem “maiores do que sua composição” soa como um amparo a decisões individuais, muitas vezes sem considerar os impactos de longo alcance na ordem jurídica e política nacional.
O reconhecimento feito por outros membros do STF – Edson Fachin elogiando o “debate permanente” do ministro; Alexandre Moraes destacando competência, integridade e coragem –, contrasta com uma crescente desconfiança em relação ao papel da Corte nos últimos anos. A avaliação de Gilmar sobre a importância das ações que ele “evitara” ser realizadas demonstra um certo arrouro diante dos eventos recentes, incluindo as acusações relacionadas aos atos terroristas do 8 de janeiro e o envolvimento no processo legislativo envolvendo a aprovação ou rejeição da denúncia contra ex-autoridades.
A referência ao encontro com Julio María Sanguinett, seguida por uma frase sobre “falhas nos prognósticos” em relação à gestão atual da Procuradoria-Geral da República – que foi responsável pelas investigações dos atos extremistas –, evidencia um tom crítico e desconfiado do cenário político brasileiro, refletindo a postura de Gilmar Mendes ao longo desses 24 anos no STF.









