A Operação Juros Zero expõe uma complexa teia de irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do Distrito Federal e a empresa PicPay no que se configura como um desvio sistemático de recursos destinados aos servidores públicos locais. Segundo apurou a Gazeta do Povo, essa investigação judicial mirim visa desenhar os responsáveis por práticas fraudulentas que exploraram o sistema de pagamentos do governo distrital para fins ilícitos.
O Ministério Público Federal iniciou as investigações após identificar um esquema eludente no qual cobranças indevidas, disfarçadas como “taxa”, eram aplicadas à folha salarial dos funcionários públicos do Distrito Federal. A ação se beneficiara de um decreto distrital editado em 2024 que blindava essas práticas questionáveis da fiscalização rigorosa. Entre os alvos desta operação estão figuras-chave, incluindo Ney Ferraz – ex-secretário de Economia –, Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Eduardo Chedid Simões, diretor da PicPay, uma empresa pertencente ao conglomerado J&F.
A magnitude das possíveis irregularidades é alarmante: R$ 90 milhões foram bloqueados em contas ligadas à PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal como medida preventiva para garantir o ressarcimento de eventuais prejuízos causados a servidores públicos, enquanto as investigações continuam. Os suspeitos enfrentam acusações graves que incluem crimes contra a economia popular, corrupção ativa passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro – demonstração da gravidade das ações perpetradas com o uso do patrimônio público.
A situação se assemelha preocupantemente aos desvios praticados por entidades associativas em relação a aposentaditos e pensionistas do INSS, revelado no ano passado pela Operação Sem Desconto. As investigações apontam para um padrão similar: o emprego da folha de pagamento como instrumento automático de cobranças abusivas, com falhas ou conivência de agentes responsáveis pelo controle financeiro – evidenciando a necessidade urgente de maior rigor na fiscalização e transparência nos processos administrativos do governo distrital.









