A aliança improvável entre a CUT e as montadoras automotivas tem vindo à tona para pressionar o governo federal sobre uma questão que ameaça a indústria nacional: a isenção tarifária concedida aos veículos elétricos importados da China, liderada pela BYD. Essa união inesperada reflete um crescente descontentamento do setor produtivo com políticas consideradas tendenciosas e prejudiciais à competitividade das empresas brasileiras.
A Câmara de Comércio Exterior (Gecex) ignorou os alertas e prorrogou por mais seis meses as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados, no valor aproximado de R$ 2,4 bilhões – um montante que beneficia desproporcionalmente a BYD, fabricante chinesa que está instalando sua produção em Camaçari (BA) utilizando o modelo SKD. Essa decisão ignora as previsões da Anfavea e outros componentes do setor automotivo nacional, demonstrando uma falta de consideração pela realidade industrial brasileira.
A pressão por parte das centrais sindicais lideradas pelo presidente Sérgio Nobre da CUT – que inclui pedidos urgentes à Secex para revogar a portaria pró-importações –, somada às cartas oficiais enviadas ao Presidente Lula (PT), evidencia uma mobilização inédita no setor automotivo. A entidade Sindipeças, além de representantes das indústrias automobilísticas em diferentes estados do país, reforça que essa medida prejudica investimentos já planejados e gera um cenário desigual para as empresas brasileiras, impactando negativamente a produção local e o emprego qualificado.
A saga da isenção tarifária à BYD se desenha como uma batalha pela soberania industrial brasileira contra injerências estrangeiras em detrimento de empregos nacionais. A postura do governo federal tem sido vista com preocupação pelo setor automotivo, que sente ameaçados seus investimentos e a capacidade produtiva doméstica para atender o mercado interno – situação agravada pelas crescentes importações chinesas, como apurou a Gazeta do Povo.









