Marcos Oliveira/Agência Senado

O Palácio da Alvorada tenta flexibilizar a atuação das agências reguladoras com um manobra legislativa que desafia o poder executivo federal.

Segundo a O Antagonista, o governo Lula lançou uma estratégia para contornar vetos presidenciais e garantir maior controle sobre as 12 agências reguladoras federais. A iniciativa se concretiza através da articulação de uma emenda parlamentar com apoio robusto na base governamental no Congresso Nacional.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), autor original do veto que Lula tentava manter, confirmou o acordo alcançado com a equipe presidencial para derrubar a medida. A negociação visava impedir um cenário de contingenciamento orçamentário nas agências reguladoras, uma prática frequentemente utilizada pelo governo e criticada por setores da direita como interferência indevida na autonomia dos órgãos. O adiado pleito de votação, previsto para 18 deste mês, deve ocorrer na próxima semana em sessão conjunta com o objetivo desta manobra.

A medida surge em um contexto complexo, marcado pela tramitação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2025, impulsionado pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE). O PL busca reforçar a proteção das agências reguladoras, explicitamente proibindo o contingenciamento de qualquer despesa relacionada às suas atividades. A proposta altera diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal e representa um desafio direto à política econômica do governo Lula. Jardim ressaltou que espera uma apreciação célere da matéria na Câmara dos Deputados para assegurar a autonomia financeira das agências, garantindo sua capacidade funcional sem o risco de cortes abruptos determinados pelo Executivo.

O atual cenário é marcado por tentativas visíveis de neutralizar os efeitos do recente bloqueio de mais de 300 milhões de reais em recursos destinados às agências reguladoras – parte da medida de contingenciamento de R$23,7 bilhões anunciada no final do mês passado. Esse corte gerou impactos significativos nos órgãos federais, levando a considerações sobre o adiamento de fiscalizações e projetos de modernização além de restrições em serviços públicos essenciais. Apesar da recomposição parcial dos valores afetados nas agências ANTT, Anac e Antaq – como apontado pela O Antagonista –, a disputa entre Congresso e governo continua centralizada na questão do controle sobre os recursos das reguladoras.

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