Marcelo Camargo/Agência Brasil

A escolha do ex-governador de São Paulo e antigo ministro Márcio França (PSB) para ser candidato a vice na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT), anunciada sob o rótulo de “união das esquerdas” contra o governador Tarcísio Freitas (Republicanos), foi orquestrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com a Revista Oeste, o petista assumiu a liderança das negociações com o PSB, aliado histórico do PT, diante das dificuldades e da demora de Haddad em construir uma chapa governamental viável para as eleições de outubro. França almejava candidatura ao Senado ou à chefia do executivo estadual, porém sua indicação foi considerada um voto contido. A reunião decisiva entre Lula, Haddad e França ocorreu no Palácio do Planalto na última quarta-feira (24), com a presença também do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – antigo companheiro de governo de França –, demonstrando o controle centralizado da decisão pelo petista.

Na época das negociações, Márcio França resistia à aceitação para ocupar o posto na chapa adversária. Desde início de ano, exerciuta a pré-candidatura ao Senado Federal, buscando apoio em diversos municípios e dialogando com deputados, prefeitos e outros aspirantes políticos. O impasse se intensificou após Lula convencer Simone Tebet (ex-ministra do Planejamento) a concorrer ao Senado por São Paulo – ela migrou para o PSB –, deixando uma vaga restante disputada entre França e Marina Silva (Rede), com apoio do Psol, outrora parte da órbita petista.

Após perder espaço na disputa senatorial, Márcio França defendeu internamente a necessidade de mais um nome à cabeça da chapa do PT em São Paulo – especialmente após as desistências de Kim Kataguiri e Paulo Serra (PSDB) –, argumentando que com apenas Tarcísio e Haddad no cenário eleitoral havia chances reais para o pleito ser decidido pelo primeiro turno, na contagem. Naquela situação, França se colocou à disposição para concorrer ao governo estadual, uma vez descartada sua candidatura a vice da chapa do PT – decisão final que demonstrava a preterição sofrida com Lula e Alckmin.

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