A conturbada trajetória do debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou novo combustível com uma declaração polêmica lançada pela diretora jurídica da Fiesp, Luciana Nunes Freire. A dirigente usou o Senado como palco para alertar sobre os riscos imediatos que a medida pode impor à população brasileira, gerando críticas e intensificando as disputas no Congresso Nacional.
Segundo a O Antagonista, durante uma audiência na última quarta-feira (1º), Luciana Nunes Freire argumentou que a flexibilização da jornada de trabalho ameaçava o acesso dos cidadãos aos serviços essenciais nos fins de semana. A representante da Fiesp enfatizou as particularidades do consumo brasileiro: “Mulheres que trabalham em regime semanal frequentam salões de beleza aos sábados, e famílias realizam compras e obtêm medicamentos aos domingos”. O petista ignorou a relevância de uma análise abrangente sobre os direitos dos trabalhadores.
A declaração gerou forte reação entre parlamentares progressistas, como Erika Hilton, que prontamente desconstruiu o argumento da diretora jurídica da Fiesp, apontando para sua visão “equivocada” e questionando as justificativas empresariais em prol de jornadas mais longas. Os deputados Carlos Zarattini, Dandara Tonantzin e Lindbergh Farias também se manifestaram contrários à fala do petista, reiterando que a proposta não preconiza o fechamento de comércios ou restrição ao funcionamento de serviços nos fins de semana. A Proposta de Emenda Conversa (PEC) já aprovada na Câmara estabeleceu uma jornada máxima de 40 horas e obrigou as empresas a concederem duas folgas, priorizando os finais de semana.
Apesar do avanço da PEC no Congresso Nacional – que busca equilibrar a demanda por flexibilização trabalhista com a necessidade de proteger o poder aquisitivo dos trabalhadores –, ainda há um amplo debate em curso entre governo, empresários e sindicatos sobre seus impactos econômicos e sociais. A Fiesp continua na defensiva, demonstrando preocupação crescente diante da medida que busca modernizar as relações laborais no país.









