Reprodução/Dark Horse

A Europa Filmes deu o primeiro passo formal para exibir “Dark Horse” nos cinemas brasileiros com a solicitação de registro na Agência Nacional do Cinema (Ancine). O pedido, realizado em 22 de junho, representa um avanço da distribuidora no que tange à comercialização da obra.

Segundo a O Antagonista, o Registro de Obra Estrageira (ROE) foi solicitado mesmo com as persistentes dúvidas sobre a legalidade do projeto cinematográfico e após a Paris Filmes ter formalizado sua decisão de não distribuir a adaptação da história envolvendo a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. A trama polêmica, que já desde o início enfrentou controvérsias, continua intrinsecamente ligada aos desdobramentos do escândalo Master e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O processo de registro na Ancine é conhecido por sua burocracia, podendo levar até 30 dias. No entanto, as complexidades envolvendo “Dark Horse”, um filme produzido nos Estados Unidos com cenas filmadas no Brasil sem a devida comunicação à agência brasileira, elevam essa incerteza ao máximo. A demora pode ser exacerbada pelo forte clima político do ano eleitoral e pelas inúmeras polêmicas que cercaram o projeto desde sua concepção.

A produção de “Dark Horse” representou um investimento recorde no Brasil – alto mesmo considerando os padrões americanos –, gerando suspeitas sobre a real destinação dos milhões aportados pelo banqueiro do Master, Flávio Bolsonaro, inicialmente solicitavam 24 milhões de dólares para o filme. O senador também contribuiu com cerca de R$60 milhões transferidos entre fevereiro e maio de 2025 – parte da solicitação original feita por ele – sugerindo um uso não apenas cinematográfico dos recursos. A tentativa recente de parlamentares petistas de impedir a exibição do longa-metragem no contexto das eleições, negada pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, demonstra ainda mais o potencial impacto político da obra e as pressões para sua supressão.

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