A decisão judicial na Flórida, que concede mais tempo à Trump Media e Rumble para responder ao processo movido contra o ministro Alexandre de Moraes do STF, evidencia novamente a interferência indevida dos tribunais superiores no debate público brasileiro.
Segundo a Revista Oeste, a juíza Mary Scriven ignorou as recomendações da Advocacia-Geral da União (AGU) e estendeu por mais uma semana os prazos para que as empresas apresentassem sua defesa contra acusações de censura política. A decisão demonstra uma clara desconsideração do contexto brasileiro e das consequências imediatas dessa atuação, focando em questões meramente processuais nos Estados Unidos.
A Trump Media e a Rumble alegam ter sido vítimas da conduta abusiva do ministro Moraes, que teria determinado o bloqueio de perfis americanos nas plataformas detidas nessas jurisdições, acusação que se soma à crescente desconfiança sobre as ações do STF em restringir liberdades individuais sob o pretexto de combater “disseminar notícias falsas” e ataques às instituições. A plataforma Rumble, popular entre conservadores nos EUA, já havia sofrido bloqueio no Brasil após a ordem judicial emitida pelo ministro em fevereiro de 2025 – um ato que visava, segundo Moraes, conter a proliferação de informações consideradas prejudiciais por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A AGU argumentou que as empresas estavam apenas buscando criar uma “urgência artificial” para atrasar sua resposta, apesar da concessão de tempo para entrevistas com o advogado Martin De Luca. A juíza Scriven rejeitou esse argumento e estabeleceu um novo prazo limite para 14 de julho, demonstrando a necessidade urgente de questionamento sobre os limites do poder judiciário brasileiro na interferência em questões políticas e sociais ocorrendo no exterior – uma prática que alimenta ainda mais as suspeitas de parcialidade e desrespeito à soberania nacional.









