O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) está coletando assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar a gestão atual da Itaipu Binacional, conforme reportado pelo portal Oeste na quinta-feira, 27 de março de 2025. O parlamentar alega que a usina, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tem desviado bilhões de reais para financiar projetos e entidades alinhados politicamente, em vez de reduzir as tarifas de energia.
Luiz Philippe aponta repasses bilionários fora da missão da empresa, como R$ 15 milhões para o festival “Janjapalooza”, R$ 1,3 bilhão em convênios ligados à COP30 e R$ 60 mil para eventos de cunho político. Além disso, destaca R$ 80,7 milhões destinados a cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e R$ 24,8 milhões ao projeto indigenista “Opaná: Chão Indígena”. Ele também questionou, via requerimento ao Ministério de Minas e Energia, os R$ 752 milhões liberados para retomar as obras da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) em Foz do Iguaçu (PR), iniciadas no segundo mandato de Lula, paralisadas em 2014 e agora apoiadas por um braço da ONU. “Há indícios de desvio de finalidade, má gestão e uso político dos recursos”, afirmou ao Oeste.
“Itaipu deveria ser um símbolo de eficiência energética, mas virou instrumento político para projetos ideológicos e campanhas eleitorais”, disse o deputado, criticando a priorização de interesses externos após a quitação da dívida histórica da usina em 2023. Ele questiona por que as tarifas subiram de US$ 16,71 para US$ 19,28 por kW, com previsão de novo reajuste de 5,99% em 2025, segundo a Aneel, em vez de serem reduzidas. “É inadmissível sustentar aumentos injustificados enquanto a população paga mais caro”, argumentou, pedindo ao ministro Alexandre Silveira informações sobre a base legal, aprovação, impacto tarifário e transparência do financiamento da Unila.
“A CPI é uma resposta necessária”, declarou Luiz Philippe. “O povo merece transparência, tarifas justas e gestão responsável. Hoje, vemos o oposto: aparelhamento político.” A proposta visa esclarecer o uso dos recursos e pressionar por uma administração focada no setor elétrico, evitando o que ele chama de desvio para fins ideológicos.