Na manhã de quinta-feira, 27 de março de 2025, um policial do Hamas foi executado em Deir Al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, por membros do clã Abusamra, que o acusaram de matar um de seus jovens, Abdulrahman Abusamra, segundo relatos de fontes locais. Vídeos chocantes do assassinato, identificado como sendo de Ibrahim Shaldan, viralizaram nas redes sociais, mostrando três executores disparando à queima-roupa enquanto a vítima segurava um cartaz, em um local próximo a um monumento conhecido na entrada da cidade.
O incidente começou quando o clã Abusamra alegou que Abdulrahman foi morto por policiais do Hamas enquanto esperava em uma fila para comprar farinha. A notícia se espalhou rapidamente, levando o clã a capturar e executar Shaldan em retaliação, afirmando vingar o sangue de seu parente. No entanto, canais locais indicam que o caso é mais complexo, com confrontos armados entre clãs em um abrigo de Deir Al-Balah no mesmo dia, resultando em várias mortes antes da execução.
O Ministério do Interior do Hamas, que supervisiona as forças policiais, reconheceu implicitamente a morte de Abdulrahman, afirmando em nota que “a polícia investiga o crime do assassinato de um policial enquanto ele tentava separar uma briga, o que levou à morte de um civil por ferimentos”. O comunicado prometeu “medidas legais fortes contra os autores desse crime hediondo”, comprometendo-se a prender os responsáveis.
As reações foram divididas. Alguns gazenses apoiaram a execução: “Agora, todo Hamas vai pensar um milhão de vezes antes de atirar em alguém do povo, especialmente de famílias grandes”, escreveu um comentarista online. Já simpatizantes do Hamas, como Abu Khaled, pediram a eliminação do clã Abusamra, enquanto Hameed identificou um suposto membro da Fatah no vídeo, exigindo punição e chamando-o de traidor ligado à Autoridade Palestina. Outros, como o blogueiro Muhammad, temem uma guerra civil: “Hamas matou um jovem do clã sem julgamento, como matou dezenas antes. A família se vinga, e quem levou Gaza a esse estado?”
Esse não é o primeiro sinal de resistência ao Hamas na última semana. Entre 25 e 27 de março, protestos anti-Hamas em Beit Lahiya, no norte de Gaza, exigiram a saída do grupo, enquanto na segunda-feira, 24, o Hamas foi acusado de sequestrar, torturar e matar Odai Al-Rabei, um dissidente de 22 anos. Em ambos os casos, líderes do Hamas rotularam os opositores de “vendidos” ou “sionistas”, evidenciando tensões crescentes na Faixa, conforme o The Jerusalem Post.