Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta sexta-feira, 4 de abril de 2025, um editorial destacando a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, região que historicamente lhe garantiu vantagem eleitoral, mas que agora mostra sinais de desgaste. A perda de hegemonia, segundo o texto, é um alerta tanto para o Palácio do Planalto quanto para a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT), que veem sua base tradicional enfraquecer.

Uma pesquisa Genial/Quaest, realizada entre janeiro e março de 2025, revelou que a aprovação do governo no Nordeste caiu de 59% para 52%, enquanto a rejeição subiu de 37% para 46%, reduzindo a diferença para apenas 6 pontos percentuais. O Estadão aponta que, mantida essa tendência, Lula pode em breve ser mais rejeitado do que aprovado na região, um cenário inédito para o petista em seu reduto eleitoral.

Diante da queda acelerada, o Planalto tentou reagir com mudanças na comunicação e medidas populistas, como a isenção de Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil e incentivos ao crédito consignado. No entanto, essas ações não reverteram o desgaste, que avança até onde o governo era mais sólido. O editorial observa que o PT enfrenta o esgotamento de sua estratégia histórica: o modelo de transferência de renda, como o Bolsa Família, já não assegura a fidelidade eleitoral, com beneficiários buscando independência econômica e se afastando da identificação exclusiva com o partido.

O Nordeste abriga governadores petistas em estados como Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, além de ministros influentes como Rui Costa, Camilo Santana e Wellington Dias, todos oriundos dessa base. Apesar disso, a região não oferece mais o apoio incondicional de outrora. A pesquisa também indica queda na aprovação entre mulheres e eleitores de baixa renda, grupos tradicionalmente alinhados ao PT, evidenciando a dificuldade de Lula em manter sua coalizão histórica.

O Estadão argumenta que Lula sempre contou com a dependência do eleitorado nordestino ao assistencialismo, mas essa abordagem atingiu um limite. Novas demandas emergem, e o governo precisa reconstruir sua conexão com esses votantes, que mostram menos disposição para uma lealdade automática ao petismo. A perda de prestígio no Nordeste pode complicar os planos eleitorais do PT e sinaliza um desafio crescente para o terceiro mandato de Lula, conforme a Revista Oeste.

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