A reunião do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados na quarta-feira, 2 de abril de 2025, foi marcada por tumulto, com gritos, acusações e bate-boca durante a análise do processo que pede a cassação do deputado Glauber Braga (Psol-RJ). A sessão, suspensa após um pedido de vista do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), avaliou o parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA), que recomendou a perda do mandato de Braga por agressões contra Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), e uma tentativa de ataque ao deputado Kim Kataguiri (União-SP).
O caso começou quando Braga agrediu Costenaro com chutes, alegando “legítima defesa da honra de sua mãe”. Em seu relatório, Magalhães rejeitou a justificativa, classificando as ações como “injustificadas” e “desproporcionais”. “Não é de hoje que Glauber age com desrespeito a esta Casa e aos parlamentares, ultrapassando todos os limites”, declarou o relator, apontando um histórico de conduta incompatível com o decoro parlamentar.
A leitura do parecer gerou reações intensas. Sâmia Bomfim (Psol-SP), esposa de Braga, chamou Magalhães de “desgraçado”, sendo repreendida pelo presidente do conselho, Leur Lomanto Júnior (União-BA), que também pediu colaboração a militantes e parlamentares de esquerda que acusavam o relator de “bandido” e “comprado”. Em seu discurso, Braga alegou que o relatório foi escrito pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “Quem escreveu seu relatório foi Arthur Lira, nem disfarçaram. Vou provar com elementos objetivos que já estava comprado.” Apesar da promessa, ele não apresentou evidências, focando na defesa emocional: “Talvez merecesse uma repreensão se não tivesse defendido a honra da minha mãe, que faleceu um mês depois.”
Questionado pelo Oeste, Magalhães refutou as acusações: “Glauber tem um poder de criatividade grande, cria narrativas conforme os aplausos que recebe.” Ele defendeu seu trabalho: “Pesquisei o comportamento dele nas comissões com equidade e cuidado. Não estou aqui para caçar colega, é uma situação delicada. Agora, o conselho decidirá. O desespero dele reflete a previsão do resultado pelas evidências que apresentei.”
A sessão expôs tensões no Conselho de Ética, com Braga tentando deslegitimar o processo enquanto enfrenta a possibilidade de cassação. De acordo com a Revista Oeste, a decisão final dependerá do colegiado, mas o bate-boca sinaliza um julgamento politicamente carregado.