Ricardo Stuckert/PR

O Ministério da Educação (MEC), sob o governo Lula, optou por não divulgar os dados de alfabetização de crianças do 2º ano do ensino fundamental avaliados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2023, apesar do uso de recursos públicos nas provas. A decisão, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo na quinta-feira, 27 de março de 2025, gerou surpresa até entre servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela avaliação.

O presidente do Inep, Manuel Palácios, informou por ofício que apenas os microdados do 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio serão liberados, excluindo os resultados do 2º ano. O bloqueio contraria promessas anteriores do MEC de publicar todos os dados da última edição do Saeb. Internamente, técnicos do Inep apontam que os números de alfabetização divergem dos obtidos no novo modelo de avaliação lançado pelo ministro Camilo Santana, aplicado com os estados, mas criticado por especialistas por sua falta de confiabilidade. O Inep justificou que está “aprimorando” a análise, sem oferecer cronograma ou nota técnica.

A omissão pegou de surpresa até funcionários do próprio órgão, que esperavam transparência. O MEC, procurado pela Folha, não se pronunciou nem explicou o descumprimento do compromisso. Além da alfabetização, os resultados amostrais de ciências humanas e da natureza também foram suprimidos, sob a alegação de amostragens pouco confiáveis — uma justificativa sem respaldo técnico nos documentos do Inep, segundo o jornal.

A edição de 2023 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi publicada sem metas definidas, e a reformulação prometida no início do governo Lula ainda não foi concluída. A previsão é que o Ideb de 2025 também não traga metas, dificultando a gestão educacional em estados e municípios. A decisão de esconder os dados levanta dúvidas sobre os rumos da política educacional do governo,conforme a Revista Oeste.

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