U.S. Department of State/Wikimedia Commons.

O Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou à agência Reuters na sexta-feira, 4 de abril de 2025, que seu país busca evitar qualquer confronto com Israel na Síria, apesar dos repetidos ataques israelenses a alvos militares no território sírio, que têm enfraquecido a capacidade do novo governo em Damasco, aliado próximo de Ancara, de conter ameaças. A afirmação foi feita durante uma entrevista à margem de uma reunião de chanceleres da OTAN em Bruxelas.

Fidan destacou que os ataques de Israel na Síria, onde o presidente Ahmed al-Sharaa mantém laços estreitos com a Turquia, estão “pavimentando o caminho para uma futura instabilidade regional”. Ele ressaltou, porém, que, se o novo governo sírio optar por estabelecer “certos entendimentos” com Israel, vizinho de ambos os países, “isso é problema deles”. A Turquia, membro da OTAN, tem condenado veementemente as ações de Israel em Gaza desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, classificando-as como genocídio contra os palestinos, aderindo a um processo contra Israel no Tribunal Mundial e suspendendo todo o comércio bilateral.

A rivalidade entre Turquia e Israel se intensificou na Síria após a ascensão do novo governo em Damasco, com Israel conduzindo ataques aéreos que Ancara considera uma invasão do território sírio. Israel, por sua vez, justifica as operações como medidas para impedir a presença de forças hostis na Síria. De acordo com o The Jerusalem Post, esse embate reflete a extensão do conflito para além de Gaza, complicando a dinâmica regional.

Questionado sobre as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar militarmente o Irã, Fidan defendeu a diplomacia como solução: “Não queremos ver ataques contra nosso vizinho Irã; as diferenças devem ser resolvidas por vias diplomáticas.” A posição reforça o desejo da Turquia de evitar escaladas adicionais na região.

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