O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da França, Fabien Mandon, expressou sérias críticas ao comportamento dos Estados Unidos, classificando-o como “cada vez mais imprevisível”. Segundo a Gazeta do Povo, o comentário foi feito em um fórum de segurança e defesa em Paris na terça-feira (24).
Mandon salientou que a falta de comunicação de Washington sobre decisões militares, como a intervenção na guerra entre EUA e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, impacta diretamente a política de defesa francesa. Ele enfatizou que a imprevisibilidade dos atos americanos gera preocupação com a segurança e os interesses da França.
O comandante também mencionou o conflito no Afeganistão, onde a retirada abrupta dos EUA em 2021, após 20 anos de presença, levantou questões sobre a transparência e o processo decisório. A retirada, iniciada em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001, foi motivada pelo Artigo 5º da OTAN, que permite que aliados respondam a um ataque contra um membro da aliança.
De acordo com a Gazeta do Povo, Mandon detalhou que a França interveio no Afeganistão a pedido dos EUA, que, após invocarem o Artigo 5º, optaram por se retirar sem notificar seus aliados. A situação atual, com a nova intervenção dos EUA no Oriente Médio sem consulta prévia, gera preocupação nas Forças Armadas francesas, que buscam garantir a proteção de cidadãos franceses na região.
A postura do governo francês se soma a outras manifestações de insatisfação. Em fevereiro, o presidente Emmanuel Macron criticou a postura “antieuropeia” do governo Donald Trump, que buscava o “desmembramento” da União Europeia. A situação se agrava com as recentes declarações do presidente americano, que acusou aliados da OTAN de serem “covardes” por não apoiar a abertura do Estreito de Ormuz e por propostas de anexação da Groenlândia.









