Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons

O Banco Central intensificou a vigilância sobre o Banco Master, liderado por Daniel Vorcaro, nos meses que antecederam a liquidação em novembro de 2025. O objetivo era evitar uma intervenção abrupta, aguardando iniciativas da instituição para solucionar o quadro de dificuldades. Segundo a Revista Oeste, o órgão buscava alternativas para mitigar impactos sociais e os custos associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Desde o início de 2024, o BC monitorou a expectativa de uma solução de mercado, como a venda do banco ou medidas para reduzir suas operações. O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, enfatizou que a prioridade era evitar que a crise se agravesse.

Entre as opções consideradas, estava a transferência de carteiras de crédito para outras instituições financeiras. Em 2024, iniciou-se uma relação com o Banco de Brasília (BRB), que se intensificou em 2025 com a proposta de venda do Master ao BRB. No entanto, o Banco Central rejeitou a operação em setembro de 2025, devido à falta de viabilidade econômica e financeira.

O FGC repassou R$ 4,3 bilhões ao Master a partir de maio de 2025 para auxiliar no cumprimento de obrigações imediatas, e o Banco Central autorizou Daniel Vorcaro a negociar ativos pessoais, com venda de parte a BTG Pactual, e a possibilidade de receber R$ 954 milhões. Apesar desse reforço, as medidas não foram suficientes para reverter o agravamento da crise.

O diretor Santos argumentou que, mesmo com a ampliação da linha de liquidez, o banco permanecia em estado crítico, sem alternativas viáveis para mitigar o problema. Ele defendeu que medidas imediatas fossem adotadas, evidenciando a deterioração da saúde financeira do grupo e a incapacidade de cumprir obrigações futuras.

Ao longo de 2024 e 2025, o Master apresentou diversas irregularidades, incluindo atrasos no envio de documentos, exaustão das carteiras de crédito e descumprimento dos depósitos compulsórios, agravado a partir de fevereiro de 2025. Mesmo alertado em abril de 2025, o banco solicitou dispensa do recolhimento em maio, mas o pedido foi negado pelo Deban.

A Supervisão constatou o agravamento da crise e a inexistência de perspectivas de recuperação, corroborada pela Procuradoria-Geral do BC. Suspeitas de crimes por parte da gestão do banco também foram levantadas, incluindo a venda de carteiras de crédito não comprovadas ao BRB, fato comunicado ao Ministério Público Federal em julho de 2025.

A crise do Master, que se intensificou entre 2018 e 2023 com a expansão do banco e a aquisição de outras instituições, culminou na rejeição da venda ao BRB em setembro de 2025 e, posteriormente, na liquidação extrajudicial em novembro de 2025.

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