Antonio Cruz/Agência Brasil

Nesta terça-feira, 5 de agosto de 2025, o Banco Central (BC) divulgou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando que pode retomar o ciclo de aumento da taxa Selic caso seja necessário para controlar pressões inflacionárias. O documento destaca que a taxa atual, mantida em 15% ao ano, deve ser preservada por um período prolongado, sem previsão imediata de cortes ou novas elevações. Como apontado pela Revista Oeste, o BC expressou preocupação com o cenário econômico “mais incerto e adverso” devido às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entram em vigor em 6 de agosto, e à política fiscal americana sob o governo de Donald Trump.

A ata do Copom ressalta que “as tarifas dos EUA geram impactos setoriais relevantes e efeitos agregados incertos, dependendo das negociações futuras e da percepção de risco”. Apesar do contexto global desfavorável, o BC observa que o mercado de trabalho brasileiro mantém vigor, mesmo com sinais de desaceleração em alguns setores. O comitê destacou o dinamismo do emprego, embora note uma moderação no crescimento econômico.

Na reunião de 30 de julho, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 15%, interrompendo o ciclo de altas iniciado em setembro de 2024. Esse é o maior patamar desde julho de 2006, quando a taxa atingiu 15,25% no final do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última redução da Selic ocorreu em maio de 2024, para 10,5%, seguida por duas manutenções antes das recentes elevações.

A meta de inflação, fixada em 3% com tolerância de até 1,5 ponto percentual, não foi cumprida nos primeiros seis meses de 2025, com o IPCA atingindo 5,35% em junho. Como resultado, o BC enviou uma carta justificando o descumprimento, conforme exigem as normas. A projeção da autoridade monetária indica que a inflação só retornará ao intervalo da meta no primeiro trimestre de 2026.

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