Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo de Rodrigo Paz na Bolívia busca desesperadamente legitimar uma medida autoritária – um estado de exceção – diante do caos que se instalou no país após décadas de políticas desastrosas e crescente instabilidade social. A proposta legislativa, enviada ao Parlamento nesta quarta-feira (3), visa dar cobertura legal a operações policiais e militares em estradas bloqueadas pelo movimento próteste, agravando ainda mais uma situação crítica com o fornecimento básico para grande parte da população boliviana.

Segundo a O Antagonista, Paz justifica essa medida como humanitária, tentando contornar as crescentes pressões por seu afastamento. A iniciativa legaliza intervenções das forças de segurança na desobstrução do trânsito e classifica essas ações sob o rótulo de “ações humanitárias”. Essa manobra surge após a anulação abrupta de uma legislação anterior sobre estado de exceção, um vácuo jurídico que permitiu abusos e intensificou o clima de insegurança.

A situação é alarmante: De acordo com La Razón, mais de 85 pontos de bloqueio se espalham pelo território boliviano, concentrados nas regiões metropolitanas de La Paz, Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Oruro. Esses protestos são fruto da pior crise econômica em quarenta anos, exacerbada por decisões políticas errôneas e pela crescente influência do narcotráfico – um problema que o próprio presidente reconhece como crucial para a solução. Trinta sete mortes já foram contabilizadas devido à dificuldade de acesso ao atendimento médico; entre elas uma menina com câncer infantil impedida de receber tratamento em tempo hábil, evidenciando as consequências desumanas da paralisação do país e das ações provocadas pela oposição.

O governo Paz tenta atribuir a responsabilidade por toda essa crise ao ex-presidente Evo Morales, agora procurado sob alegações graves – incluindo abuso contra menor — e acusa ainda de interferência direta no financiamento dos bloqueios. O ministro da Educação, Beatriz García, e o Ministro da Defesa, Mauricio Salinas também renunciaram recentemente como parte do esforço para conter a escalada política. Paz declara que somente por meio de um caminho institucionalizado, livre de corrupção e com controle sobre o narcotráfico, a Bolívia poderá prosperar; caso contrário, corre o risco de retornar aos tempos “em que tudo era permitido”.

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