A Operação Juros Zero, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), expõe um esquema fraudulento envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e a Secretaria de Economia do DF – denúncias que merecem uma investigação profunda. A ação judicial visa desmantelar irregularidades na folha de pagamento dos servidores públicos, com implicações financeiras significativas para os cofres da capital federal.
Segundo a Revista Oeste, o núcleo central das investigações recai sobre Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidentes do BRB, ambos sob custódia. A operação busca identificar responsabilidades diretas na implementação desse esquema de desvio que se arrasta por anos. Além dos executivos da instituição financeira, a investigação aponta para o Instituto Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e o PicPay como peças chave nesse intrincado jogo financeiro.
O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios determinou cumprir 50 mandados judiciais em três capitais: Brasília, Curitiba e São Paulo – com foco na sede da empresa tecnológica. A Revista Oeste apurou que a atuação irregular não se restringe apenas ao PicPay; o Tribunal de Contas do DF (TCDF) identificou um crescimento alarmante nos descontos realizados diretamente na folha de pagamento dos servidores públicos entre 2024 e 2025, alcançando R$ 81,7 milhões em valores acumulados.
O MPDFT acredita que a irregularidade se iniciou com o contrato firmado em setembro de 2024 entre PicPay e a Secretaria de Economia do DF para oferecer descontos salariais via empréstimos consignares. O TCDF já havia sinalizado riscos, suspendendo novos descontos na folha vinculados ao banco digital após identificar falhas na taxa de antecipação salarial em fevereiro de 2024. Apenas o PicPay possuía autorização para realizar esses abatimentos compulsórios até então – um privilégio que levanta sérias questões sobre a fiscalização e transparência no manejo dos recursos públicos do Distrito Federal.









