A aprovação controversa do Projeto de Resolução 33/2026 na Câmara dos Deputados expõe uma nova camada de questionamentos sobre a gestão interna da Casa e seus gastos abusivos. A votação simbólica, que consumiu menos de dois minutos – sem registro individual dos votos –, levanta suspeitas quanto à transparência do processo legislativo.
Segundo a Revista Oeste, o novo texto altera significativamente as regras da Comissão Permanente de Disciplina (Coped), transferindo poderes críticos para o diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão. O titular agora detém o poder de designar os membros da Coped e definir seu presidente, um cenário que acentua a influência administrativa sobre o controle disciplinar interno. A resolução também concede ao director-general a prerrogativa de conduzir investigações preliminares sumárias, com decisões finais sendo tomadas exclusivamente pela diretoria-geral – uma concentração excessiva de poder sem mecanismos de responsabilização claros.
Paralelamente à atuação da Câmara, o Tribunal de Contas da União (TCU) intensifica sua análise sobre a administração interna do parlamento. Uma representação formal enviada por servidores questiona o elevado volume de horas extras pagamentos aos diretores – incluindo 539 horas contabilizadas para Guilherme Barbosa Brandão e 524 para Daniel Borges de Morais –, levantando sérias dúvidas quanto à legalidade da sua atribuição, que se baseia na soma simultânea de rubricas como serviços extraordinários, sessões noturnas e visitas guiadas. A prática sugere um possível desvio no uso dos recursos públicos.
A reação oficial da Câmara – uma nota negando irregularidades e refutando acusações –, soa insuficiente diante das evidências apresentadas pelo TCU. O procedimento disciplinar interno “não encontrou indício de irregularidade”, como a instituição alegou, demonstrando um claro esforço para minimizar o escândalo que se alastra. A situação expõe novamente as fragilidades do controle e da transparência no coração do poder legislativo brasileiro, gerando crescente desconfiança sobre práticas internas que podem estar desviando recursos públicos com total impunidade.









