Marcelo Camargo/Agência Brasil

O setor de combustível ascendeu como uma das fontes de maior receita para o crime organizado, superando o tráfico de cocaína em termos de lucros anuais. Dados do Atlas da Violência de 2026, divulgados pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o mercado de combustíveis gera uma receita anual superior a R$ 60 bilhões, representando aproximadamente 40% da renda das facções criminosas no Brasil. Essa transformação demonstra a sofisticação e o avanço das organizações criminosas, que se infiltram em setores econômicos formais, como apontou o Atlas da Violência.

A operação Fluxo Oculto, um desdobramento da Carbono Oculto, expõe a complexa relação entre o setor de combustíveis, fintechs e o mercado financeiro, utilizado para a lavagem de recursos ilícitos. Segundo apurou a Gazeta do Povo, o esquema envolve a utilização de instituições financeiras reestruturadas após a primeira fase da operação do Ministério Público de São Paulo, permitindo a movimentação de R$ 4 bilhões entre as fintechs investigadas. Essa movimentação financeira complexa, com múltiplas origens e redistribuição de valores, dificulta a rastreabilidade e a identificação dos responsáveis pelo crime.

O volume anual de receita estimado com a atividade ligada a combustíveis e lubrificantes, segundo o Fórum de Segurança Pública, é de R$ 61,5 bilhões, representando 41,8% dos negócios das facções na exploração da economia formal. Essa cifra, que excede em muito a receita gerada pelo tráfico de cocaína – estimada em R$ 15 bilhões entre 2022 e 2023 – evidencia a crescente importância do setor de combustíveis no universo financeiro criminoso. A complexidade das operações de lavagem de dinheiro, aliada à utilização de tecnologias financeiras, representa um desafio considerável para as forças de segurança.

O aumento vertiginoso de estelionatos virtuais, conforme alertado pelo Atlas da Violência, demonstra uma mudança significativa no modus operandi do crime organizado. Com mais de R$ 186 bilhões movimentados anualmente em crimes digitais e roubos de celulares, o crime organizado supera a receita gerada pela infiltração no setor de combustíveis, evidenciando a necessidade de uma resposta mais eficaz por parte das autoridades. A especialização em crimes financeiros e a migração para setores com menor repressão estatal reforçam a necessidade de uma atuação coordenada entre as polícias e os órgãos fiscais.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta