Luiz Silveira/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, enfrentou uma onda de questionamentos após condenar a divulgação de mensagens privadas do banqueiro Daniel Vorcaro, alegando grave atentado à intimidade e à ordem institucional. Em publicação nas redes sociais na tarde desta segunda-feira, 10, Mendes qualificou o episódio como barbárie e defendeu uma revisão na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais para coibir abusos semelhantes, com ênfase na preservação da privacidade feminina.

Ex-procurador da Lava Jato e atual deputado Deltan Dallagnol rebateu com acusações de incoerência, lembrando que o ministro utilizou mensagens hackeadas para desmontar a operação anticorrupção, mesmo com laudos da Polícia Federal questionando sua autenticidade. Dallagnol apontou que, no caso Vorcaro, as conversas foram periciadas pela PF e expõem supostas ligações entre autoridades e investigados, sem que Mendes comente o mérito.

O antropólogo Flávio Gordon, colunista de Oeste, considerou a postura do decano como desfaçatez extrema, ao recorrer a argumentos demagógicos para desviar o foco de irregularidades graves. O advogado Emerson Grigollette esclareceu que a LGPD não se aplica a fins jornalísticos ou investigações criminais, conforme seu texto expresso. Já o advogado André Marsiglia alertou que o posicionamento sinaliza uma tentativa de invalidar o caso Master, similar ao que ocorreu com a Lava Jato, com o intuito de desarticular a Polícia Federal.

Usuários das redes adicionaram contexto à publicação de Mendes, recordando que a Lei Orgânica da Magistratura proíbe juízes de opinar sobre processos em andamento, sob pena de ferir a imparcialidade.

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