O ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos) lançou um forte manifesto na segunda-feira, dia 13, contestando as investigações da Polícia Federal que o acusam de interferir indevidamente no direcionamento de emendas parlamentares. Em uma entrevista à Folha, ele classificou a acusação como pura motivação política e negou categoricamente qualquer irregularidade.
Segundo a O Antagonista, a apuração policial culminou com um bloqueio judicial de R$ 6,1 milhões nos bens do ex-presidente da Câmara, decretado pelo ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação data de 6 de julho e se insere em uma série de ações referentes à destinação das emendas parlamentares. Cunha ressaltou que seus advogados buscarão acesso completo aos documentos processuais e recorrerão da decisão judicial, demonstrando confiança na eventual revogação do bloqueio.
O petista argumenta que sua atuação consistia apenas no recebimento de solicitações de prefeitos interessados em recursos via emendas parlamentares, repassadas ao partido sem qualquer envolvimento posterior na execução orçamentária. Ele enfatizou o elevado volume das demandas – mais de 100 prefeitos solicitando auxílio –, superando consideravelmente os valores efetivamente atendidos pelas emendas. “Tudo quanto é prefeito, vai lá, me procura e pede,” declarou Cunha, contextualizando a realidade dos municípios brasileiros com mais de 800 na sua unidade federativa Minas Gerais.
A Polícia Federal, no entanto, aponta que o ex-presidente da Câmara exerceu um papel significativo como intermediário na definição e remanejamento das emendas parlamentares, contando para isso com a colaboração da servidora Mariângela Fialek – conhecida informalmente como “Tuca”. De acordo com as investigações, essa assessora agiria sob aval da presidência da Casa Legislativa buscando favorecer Cunha no destino dos recursos. A atuação de Cunha é associada à prática do chamado orçamento secreto e o petista rebate a acusação classificando os atos da assessoria como estritamente técnicas, conhecendo-a desde que ela trabalhava com Romero Jucá e assegurando sua impessoalidade e apartidária na condução das atividades.









